
Crédito: Zipper Galeria
Paisagens de Laura Villarosa ocupam a Zipper Galeria
Artista desembarca em São Paulo para apresentar trabalhos recentes em que utiliza técnicas têxteis e diferentes materiais pictóricos
Maio de 2026- A partir de 16 de maio, a Zipper Galeria abre para o público Fio d’água, exposição de Laura Villarosa. Com texto crítico de Priscyla Gomes, a mostra reúne um conjunto inédito de trabalhos em que a artista constrói paisagens imaginadas em que pintura e bordado se constituem mutuamente.
As composições de Villarosa evocam territórios anteriores ao mapa, superfícies percorridas por linhas e relevos que parecem preceder qualquer tentativa de localização geográfica. A artista trabalha a imagem que se forma pela acumulação paciente do gesto, fora do registro figurativo direto.
O bordado funciona como uma linguagem plástica autônoma e como método de pensamento para sua pesquisa. Cada camada de fio assentada sobre o tecido adensa a imagem, constrói volume, cobre uma região da superfície para que outra se revele. Suas paisagens resultam de sobreposições e decisões acumuladas ao longo de um tempo dilatado.
Sobre os trabalhos de Laura Villarosa, Priscyla Gomes destaca no texto crítico da exposição: “Ao fazer da pintura uma prática atravessada pelo fio, Laura retoma uma história antiga de gestos transmitidos e reinventados. Tecer, costurar, bordar e entrelaçar são ações cotidianas, recorrentemente associadas à produção feminina, mas também potentes modos de exploração do sensível. Nessa fusão de labores, a artista aproxima imagem e matéria, visão e tato, superfície e profundidade”.
Para este conjunto, a artista trabalha com fios de procedências diversas: alguns chegam por meio de fornecedores especializados, outros por doação de pessoas próximas que passaram a reconhecer em sua prática uma atenção particular ao material. Fios naturais convivem com sintéticos no mesmo trabalho, peças artesanais ao lado de industriais. A escolha de cada um aproxima-se da escolha de um pigmento. Em seus processos, Villarosa observa a cor que o fio carrega e o modo como ele absorve ou devolve a luz. Avalia também a textura que cada material imprime à superfície quando assentado em camada. Desses critérios surge a paleta de cada paisagem, definida pelo material antes mesmo de qualquer ideia de imagem.
Os trabalhos reunidos na mostra propõem uma forma de pensamento que se faz por meio da textura. O tecido bordado adquire ali a densidade de um campo pictórico e a sensibilidade de uma pele, submetido à mesma economia de gestos que organiza a pintura. O título "Fio d’água" elucida essa condição: uma imagem em transformação contínua, conduzida por um curso silencioso que se mantém em movimento.
Sobre a artista
Laura Villarosa (Palermo, Itália, 1961) vive e trabalha em Niterói, Rio de Janeiro, desde os anos 1980. Sua pesquisa estabelece a paisagem como campo expandido, no qual a pintura e as técnicas têxteis operam em regime de equivalência. Fios, linhas, algodão, nylon, cerâmica fria, aquarela, acrílica e resina são alguns dos materiais recorrentes em uma produção que recusa a representação literal do natural para propor, em seu lugar, uma construção material da experiência sensível diante da terra.
A formação de Villarosa articula um longo percurso em pintura e cor com o aprendizado de práticas têxteis incorporadas ao trabalho autoral a partir de 2017, quando passou pelo programa Imersões Poéticas da Escola Sem Sítio, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, sob acompanhamento do artista Efrain Almeida. Desde então, a artista trata o processo como matéria constitutiva da obra, acumulando camadas de fios, tecidos e pigmentos sobre superfícies que adquirem espessura e volume. As composições flertam com a abstração e evocam atmosferas que oscilam entre serenidade e inquietação.
Em séries recentes, como Paisagem e Sensibilidade, Villarosa amplia o repertório de materiais, trabalhando sobre sedas oriundas de San Leucio, antiga colônia fundada no sul da Itália no século XVIII, reconhecida pela produção de tecidos para palácios e por seu projeto de sociedade igualitária. A artista também passou a usar cerâmica fria para modelar nuvens e diferentes texturas para compor suas paisagens imaginárias, ao mesmo tempo utópicas e distópicas. A artista costura a cerâmica ainda úmida, antes que o tempo e o calor a endureçam, e não se vê como ceramista: toma o material como extensão da tinta. Há, nos trabalhos, um interesse pela imaterialidade do ar, pelo volume das nuvens, pela densidade das montanhas e pelo reflexo instável das águas.
Villarosa realizou as individuais Lugar de passagem, na Zipper Galeria (2024); A ambígua linha sinuosa, na Zipper Galeria (2021); Na Voluta do horizonte, na Casa Brasil (Rio de Janeiro, 2025); A (des)ordem natural das coisas, na Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea (Rio de Janeiro, 2025); Aurora, na Galeria Dotart (Belo Horizonte, 2023); Impermanências, no CEART UFF (Niterói, 2023); Impermanência, projeto solo para a Zona Maco (Cidade do México, 2023); Seiva, na C. Galeria (Rio de Janeiro, 2022, com curadoria de Catarina Duncan); Reinventando paisagens, na DotArt (Belo Horizonte, 2020); e Melancolia da paisagem, na Galeria Sem Título (Fortaleza, 2019). Participou de coletivas como Paralelas, na Casa Ondina (São Paulo, 2025); Fios, entre poéticas e tramas, na Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea (Rio de Janeiro, 2024); No tempo da pintura, na Galeria Belizário (São Paulo, 2024); Rios e seus afluentes, na C.Galeria para a ArtRio (Rio de Janeiro, 2023); Paisagem passagem, na Fundação Mokiti Okada (São Paulo, 2021); o 12º Salão dos Artistas sem Galeria, na Zipper Galeria (São Paulo, 2021); e Coradjetiva, na BADESC (Florianópolis, 2014).
Serviço:
Fio d’água – Laura Villarosa
Texto curatorial: Priscyla Gomes
Local: Zipper Galeria - R. Estados Unidos, 1494 - Jardim America, São Paulo
Abertura: 16 de maio
Período expositivo: 16 de maio a 13 de junho de 2026
Informações: www.zippergaleria.com.br | @zippergaleria
fonte:
Cor Comunicação
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