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escolhidos por MARIA PINTO
(Maria Regina Pinto Pereira)

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quarta-feira, 13 de maio de 2026

exposição Reverberações do Gesto - Moffat Takadiwa - SP

 

Moffat Takadiwa, detalhe da obra Selfie, 2026. Foto: Estúdio em Obra

Moffat Takadiwa estreia sua primeira exposição individual no Brasil na galeria Almeida & Dale

Após a 36ª Bienal de São Paulo, o artista retorna à cidade com um conjunto de obras inéditas que aprofundam sua investigação sobre consumo, história e meio ambiente a partir de materiais descartados

São Paulo, SP — A Almeida & Dale tem o prazer de apresentar Reverberações do Gesto, a primeira individual de Moffat Takadiwa (1983, Hurungwe, Zimbábue) no Brasil. Com abertura no dia 16 de Maio, a exposição reúne um conjunto de obras inéditas que abordam a cultura de consumo, suas origens coloniais e suas consequências ambientais. Tratam-se de trabalhos em grandes dimensões que se assemelham a mosaicos ou tapeçarias e que evidenciam sua materialidade oriunda dos rejeitos plásticos e eletrônicos.


Conhecido do público brasileiro desde sua participação na 36ª Bienal de São Paulo (2025), onde apresentou a instalação imersiva Portals to Submerged Worlds, Takadiwa também representou o Zimbábue na 60ª Bienal de Veneza (2024). Seus trabalhos são constituídos por meio da seleção, organização e composição de resíduos plásticos de objetos cotidianos — como teclas de computador, tampas e pincéis de esmalte, escovas de dentes, pentes e outros refugos cotidianos das sociedades ocidentais —, materiais que evidenciam os padrões de consumo e descarte em um mundo conectado pelo capitalismo global.

Moffat Takadiwa, detalhe da obra Survival Mode, 2026. Foto: Estúdio em Obra

Takadiwa produz sua obra colaborativamente, com uma rede que se formou em torno do Mbare Art Space, ateliê fundado pelo artista em 2019 que promove a criação de uma rede de artistas, a qualificação do trabalho e a renovação urbana de Mbare, uma das regiões mais antigas e densamente povoadas na cidade de Harare, a capital zimbabueana. O ateliê ocupa um antigo beer hall, tipo de cervejaria que era estabelecida e controlada pelas autoridades coloniais britânicas como parte de uma estratégia de segregação, regulação do lazer e restrição da organização política. O legado colonial do espaço, portanto, é ressignificado. Em torno do Mbare Art Space, o trabalho em aterros, comum às comunidades locais torna-se uma etapa fundamental na produção de Moffat Takadiwa e de outros artistas da região passa a ser qualificado simbólica e monetariamente. 


Nas obras em exposição, o olhar crítico para a realidade histórica soma-se ao convite para a imaginação e construção de uma realidade pautada pela coletividade, cooperação e interdependência.

Moffat Takadiwa, Silver Line, 2026. Foto: Estúdio em Obra 

Sobre Moffat Takadiwa

1983, Hurungwe, Zimbábue

Vive e trabalha em Harare, Zimbábue


Em sua prática, Moffat Takadiwa aborda a cultura de consumo contemporânea e o pós-colonialismo por meio da apropriação de objetos cotidianos descartados. O artista recupera itens como teclados de computador, tubos de pasta de dente, tampas de garrafa e outros resíduos plásticos de centros de reciclagem e aterros para transformá-los em esculturas e peças de parede. Combinando objetos industriais com técnicas manuais de costura, suas obras resultam em ricas composições de cores, formas e texturas cuidadosamente elaboradas que evocam a tapeçaria.


O trabalho de Takadiwa aponta para um mundo interconectado pelo consumo, em que o capitalismo global impõe uma certa homogeneidade aos modos de vida — perceptível na onipresença de certas marcas e formas padronizadas —, enquanto contesta o colonialismo, suas persistências contemporâneas e suas consequências climáticas. De alcance global, sua obra realiza um movimento de recuperação e valorização das tradições do Zimbábue. Fundador do Mbare Art Space, Takadiwa fortalece comunidades locais por meio de práticas coletivas de trabalho, propondo novas organizações formais e de linguagem.


Takadiwa teve exposições individuais em instituições ao redor do mundo, como Recoded Memories, Washington & Lee University, Lexington, EUA (2025); Tales of the Big River, Centre d’art contemporain, Gennevilliers, França (2024); Vestiges of Colonialism, National Gallery of Zimbabwe, Harare, Zimbábue (2023); e Witch Craft: Rethinking Power, Craft Contemporary, Los Angeles, EUA (2021). Sua obra também foi incluída em exposições coletivas de destaque, entre elas a 36a Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática (2025); Tukku Magi: Rhythm’s, Latvian Museum of Art, Riga, Letônia (2025); Avantgarde & Liberation, Mumok, Viena, Áustria (2024); Pavilhão da República do Zimbábue na 60ª Bienal de Veneza, Stranieri Ovunque, Itália (2024); Color is the First Revelation of the World, Orange County Museum of Art, Costa Mesa, EUA (2024); signifying the impossible song, Southern Guild, Los Angeles, EUA (2024); Africa Supernova, Kunsthal KAdE, Amersfoort, Holanda (2023); Nous sommes tous des lichens, Musée d’art contemporain de la Haute-Vienne – château de Rochechouart, França (2022); This is Not Africa: Unlearn What You Have Learned, ARoS Museum, Arhus, Dinamarca (2021); Thread., Long Beach Museum of Art, Long Beach, EUA (2019); Stormy Weather, Museum Arnhem, Holanda (2019); Second Hand: Selected Works from the Jameel Art Collection, Jameel Arts Centre, Dubai, Emirados Árabes Unidos (2019); Material Insanity, Museum of African Contemporary Art Al Maaden, Marrakech, Marrocos (2019); e Chinafrika. under construction, GfZK Leipzig, Alemanha (2017).


Suas obras integram coleções como Arsenal Contemporary Art, Canadá; Art Jameel Centre, Emirados Árabes Unidos; CC Foundation, China; CNAP, França; Fondation Villa Datris, França; Fondazione Golinelli, Itália; Fonds d’art contemporain, França; Institute Museum of Ghana, Gana; Institute of Contemporary Art, EUA; King Abdulaziz Center for World Culture, Arábia Saudita; Mumok, Áustria; MACAAL, Marrocos; Roc Nation Collection, EUA.


Sobre Almeida & Dale


Fundada em São Paulo, em 1998, a Almeida & Dale promove o legado de artistas emblemáticos e emergentes, ao impulsionar a produção contemporânea nos cenários nacional e internacional. Com três endereços em São Paulo, a galeria realiza um programa expositivo e editorial de excelência, estabelece parcerias com instituições e coleções de renome e está presente nas principais feiras de arte mundiais, o que a posiciona como uma das mais influentes galerias brasileiras.   


Representando mais de 50 artistas e espólios, reúne nomes fundamentais dos modernismos brasileiros, figuras-chave para a formação da arte contemporânea e a sua projeção internacional, além de artistas em plena atuação que continuam a redefinir o horizonte artístico. Em 2025, ao finalizar sua fusão com a prestigiada galeria Millan, estabelecida em 1986, também em São Paulo, a Almeida & Dale abraça um histórico de comprometimento profundo com o experimentalismo artístico, de colaboração estreita com artistas para os posicionar nas principais exposições e instituições do mundo e de impulsionamento internacional de carreiras.   


De maneira ativa, a galeria assume o desafio de difundir múltiplas perspectivas e novas aproximações, centrada em ser uma plataforma para os artistas em projetos potentes. Ao unir expertise artística e um olhar estratégico para as dinâmicas globais do setor, a galeria fomenta a expansão e a capilarização da arte latino-americana por meio de uma atuação que segue amplificando e impulsionando o mercado globalmente. A Almeida & Dale é liderada pelos sócios-executivos Antonio Almeida, Carlos Dale, Hena Lee e João Marcelo de Andrade Lima.


Serviço


Moffat Takadiwa: Reverberações do Gesto

16 de maio a 20 de junho de 2026

Rua Fradique Coutinho, 1360

Segunda a sexta-feira: 10h às 19h

Sábado: 11h às 16h 


Entrada gratuita


R. Fradique Coutinho 1430, 1360

R. Caconde 152 · SP, Brasil

@almeidaedale

www.almeidaedale.com.br




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