concursos, exposições, curiosidades... sobre arte
escolhidos por MARIA PINTO
(Maria Regina Pinto Pereira)

http://maregina-arte.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de abril de 2025

exposição Pausa - Stela Barbieri - Sesc 14 Bis - SP

 

Stela Barbieri na exposição "Pausa"_por Matheus José Maria

Pausa, exposição de Stela Barbieri, convida o público a desacelerar o tempo e reinventar o cotidiano por meio da imaginação, no Sesc 14 Bis 



Evocando refúgios, abrigos e memórias, a mostra propõe uma experiência sensorial e poética a partir de instalações interativas como cadeiras de balanço e casulos que combinam materialidades táteis e recursos sonoros 


Com visitação aberta ao público até 3 de agosto de 2025, a exposição Pausa ocupa o espaço expositivo do piso térreo do Sesc 14 Bis com obras em grande escala da artista visual, arte-educadora, curadora e contadora de histórias Stela Barbieri. Construídas com o uso de materiais diversos, como bambu e miçangas, as instalações reunidas em Pausa convidam o público a permanecer em seu interior e, dentro delas, descansar, relaxar, conversar e refletir sobre a importância do descanso e do ócio na construção das subjetividades humanas. Definida pela artista como uma “obra-oficina”, a exposição propõe um espaço para o desacelerar em meio à velocidade da vida moderna, criando atmosferas que estimulam o devaneio, a introspecção e a escuta.

 

Pausa nasce de minhas pesquisas cotidianas, em instantes dilatados e embalos de presença, ora em silêncio, ora em melodia e movimento. Em tempos de disputa pela nossa atenção, de aceleração avassaladora, quando muitas vezes não é possível respirar para fazer escolhas, fabular – pausar – é um ato político. Em momentos de guerras, de violência, de conflitos externos e internos, reflorestar o imaginário abre a possibilidade de invenção, de comunidade e de participação”, defende Stela.

 

A concepção de Pausa remete a um episódio vivenciado pela artista quando, em uma loja de instrumentos musicais, Stela topou com uma cadeira de formas singulares – uma espécie de cadeira/harpa que propiciava uma sonoridade meditativa. O móvel serviu de inspiração para "Banho de Canto", uma obra-oficina composta de uma estrutura circular de ferro cercada por instrumentos musicais percussivos e elementos que produzem sons instalados ao redor de uma cadeira de balanço. A obra interativa, que reunia grupos de dez a 12 pessoas produzindo sons orgânicos, foi apresentada, em 2018, no programa “alucinações coletivas”, que compunha a programação da exposição-escola “alucinações parciais” no Instituto Tomie Ohtake, em parceria com o Centre Pompidou. “Banho de Canto”, defende Stela, foi determinante para que ela refletisse sobre o caráter imersivo e contemplativo que também norteia o eixo poético-narrativo de Pausa.


Durante a formação dos educadores que atuam como mediadores na exposição, Stela conduziu uma palestra com diversas reflexões sobre o cotidiano das infâncias a partir das proposições presentes em Pausa: como nossos sentidos são acionados durante uma pausa? como as pausas se produzem nos tempos? quais espaços podem proporcionar pausas nos cotidianos de bebês e crianças? que tipos de experiências são possíveis em uma pausa?

 

Na ocasião, Stela também revisitou sua trajetória e defendeu que, vivendo entre a arte, a educação, a música e a literatura, aprendeu sobre a força transformadora do encontro – seja com a própria história ou com a do outro – e também sobre o sentido político da atenção e a potência que há em pausar e se permitir hiatos de transformação. 

 

“Enquanto alguns conseguem encontrar momentos de descanso – seja caminhando ao som de uma boa música ou simplesmente parando para observar a cidade –, outros são empurrados por uma rotina opressora que não permite a escuta de si, uma vez que nem todos têm a oportunidade de respirar e se reconectar consigo mesmos. A pausa é algo essencial para uma vida que faça sentido. A alternância entre o movimento e o descanso nos faz perceber cada instante de reconexão como um ato revolucionário de cuidado consigo mesmo e com o outro”, conclui Stela. 

 

Pausa em detalhes

Composta por instalações de diferentes formas e materialidades, a exposição reúne: três casulos em grande escala que combinam elementos táteis, sensoriais e sonoros para a ativação da imaginação e reflexão; oito casulos de cabeça com alto-falantes acoplados que propiciam experiências auditivo-sensoriais a partir do estímulo com sons de elementos naturais, como cascas de árvores e sementes, ativados pelo movimento corporal do próprio visitante; cadeiras de balanço que remetem à memória afetiva da artista e convidam à escuta. 

 

O espaço expositivo de Pausa também conta com um painel com textos, desenhos e maquetes preparatórios para a realização da mostra, além de uma lousa côncava onde o público pode desenhar seus próprios “casulos” e divagar sobre seus momentos de ócio.

 

O núcleo educativo da exposição Pausa promove visitas mediadas especialmente voltadas para escolas públicas e privadas, de terça a quinta-feira, nos horários de 10h30, 14h e 16h, e às sextas, às 10h30 e 16h. O agendamento pode ser feito por meio do email: agendamento.14bis@sescsp.org.br 

 

Sobre Stela Barbieri

Artista, autora, educadora, contadora de histórias, compositora e curadora, dirige o binah espaço de arte, um lugar de educação, invenção e de encontros e experiências com e a partir da arte. Em sua trajetória, foi diretora da ação educativa do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, curadora educacional da Fundação Bienal de São Paulo e assessora na área de arte e educação para várias escolas e museus em diferentes estados do país. Realiza exposições, espetáculos e ministra cursos que entrelaçam arte, educação e narração de histórias, no Brasil e no exterior. Junto ao Sesc São Paulo, realizou projetos expositivos individuais em diferentes unidades: Sesc Registro, Jundiaí, Bauru, Santana, São Carlos, Belenzinho, Bom Retiro e Osasco, além de participações em diversas outras exposições coletivas. Recentemente, lançou o álbum Canoa com composições que produziu ao longo dos últimos 30 anos.


Sobre o Sesc São Paulo

Com mais de 78 anos de atuação, o Sesc - Serviço Social do Comércio conta com uma rede de 43 unidades operacionais no estado de São Paulo e desenvolve ações para promover bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, além de toda a sociedade. Mantido por empresas do setor, o Sesc é uma entidade privada que atende cerca de 30 milhões de pessoas por ano. Hoje, aproximadamente 50 organizações nacionais e internacionais do campo das artes, esportes, cultura, saúde, meio ambiente, turismo, serviço social e direitos humanos contam com representantes do Sesc São Paulo em suas instâncias consultivas e deliberativas. Para mais informações, acesse o portal: sescsp.org.br


SERVIÇO

Exposição Pausa, de Stela Barbieri

Visitação aberta ao público até o dia 3 de agosto de 2025

Terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 19h.

 

Sesc 14 Bis

Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo.

Terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 19h.

 

fonte: Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo

Inscrições abertas para a 2ª edição da oficina gratuita Navegando em Artes Plurais com módulo de colagem - BH/MG

 Inscrições abertas para a 2ª edição da oficina gratuita Navegando em Artes Plurais com módulos de colagem, escrita criativa e declamação de poesia

Oficina é oferecida pela multiartista e arqueóloga Lara de Paula; Interessados poderão se inscrever gratuitamente até dia 6 de abril para atividade que acontece em abril no Museu Mineiro em Belo Horizonte

A arte é uma poderosa companhia e, por meio dela são produzidas conexões entre tempos, espaços, curas e feridas. Nesta perspectiva, a multiartista e arqueóloga Lara de Paula oferece a oficina gratuita Navegando em Artes Plurais em oito encontros - nos dias 8, 11, 15, 17, 22, 24, 29 e 30 de abril, sempre de 15h às 17h30 - em que serão apresentadas perspectivas críticas da produção de arte em diferentes linguagens, em especial de escrita criativa, a colagem e a declamação de poesia. Serão abordadas as temáticas de gênero e questão racial dentro das artes, além de vertentes de produção afrocentrada, tal como o afrofuturismo e a pretagogia. Os encontros serão presenciais no Museu Mineiro - Av. João Pinheiro, 342, Funcionários - BH/MG. As inscrições podem ser feitas através de formulário on-line (https://linktr.ee/laradepaula) até próximo domingo, 6 de abril. 

Para Lara de Paula, “fazer arte é uma forma de condensar alegria, dor e sentimento. É uma conversa ancestral entre tempos. Enquanto uma pessoa negra, vejo a arte como uma forma de conexão com um saber tradicional historicamente oprimido, uma ferramenta de resistência e expressão individual e coletiva”, afirma. 

A atividade formativa Navegando em Artes Plurais tem como principal interesse a sensibilização, capacitação e reflexão na área de produção cultural associada às linguagens artísticas. A oficina de linguagens artísticas tem o intuito de incentivar o conhecimento e a sensibilização por meio da arte a partir da aproximação à linguagem poética e o estímulo à criatividade através da escrita criativa, produção de colagens físicas e digitais e na declamação de poesia. “Me faço valer das ferramentas que possuo, do meu lugar de fala e da minha própria estética para contribuir com a divulgação de obras e estilos de artistas afro-brasileiras, além de apresentar a quem participar do curso possibilidades de produções artísticas diferentes, engajadas e criativas, visando contribuir com o crescimento artístico pessoal de todas as pessoas envolvidas”, explica.

Pessoas interessadas em arte poderão se aproximar no módulo I Colagem - de métodos e técnicas de colagem analógica, demonstração de materiais e produção de colagens; Já no módulo II - Escrita criativa - a introdução à prática de escrita, tipos de escrita artística e proposta de exercícios individuais e colaborativos, além do módulo III, Declamação de poesia, a oportunidade de contato com produções artísticas em diversos tipos de oralidade, que vão do rap, declamação de poesia, cena curta. Além disso haverá execução de exercícios de declamação e apresentação poética oral. 

QUEM PODE SE INSCREVER - Jovens (a partir de 14 anos) e adultos. A seleção será feita de modo a contemplar mulheres negras e pessoas LGBTQIAP+ e/ou em situação de vulnerabilidade social.

Navegando em Artes Plurais é realizada pela artista Lara de Paula com recurso da Lei Paulo Gustavo, edital LPG 07/2023 - Residência Artísticas em Artes e Técnicas na categoria 1 - Bolsa de residência artística, com o apoio do Museu Mineiro.

SOBRE LARA DE PAULA 

“A pluralidade me é bem vinda e isso me afeta, e penso que foi o que fez de mim arqueóloga e poeta” - Lara de Paula é uma mulher negra que navega e ensina a navegar nas artes plurais. É criadora do conceito arqueopoesia desenvolvido no mestrado na UFMG, que consiste em uma proposta metodológica de confluência entre os universos arqueológico e poético, buscando explorar as possibilidades de diálogo dentro e fora do ambiente acadêmico, a partir da atuação em mídias sociais e diversos suportes artísticos, destacando-se a escrita, a declamação e a colagem. “Sou uma pessoa apaixonada pela companhia, pelas possibilidades e pelo movimento. Meu fascínio pelos desdobramentos das coisas, materiais e imateriais, guiaram minhas escolhas ao longo de minha trajetória”, reflete. A lente pela qual Lara vê o mundo é muito ajustada na potência das coisas de serem além daquilo que conseguimos captar ou traduzir. A poética do cotidiano nas miudezas, como alguém cantarolando na rua a mesma música que estamos ouvindo no fone, uma joaninha pousar no ombro no ponto de ônibus, uma sacola dançando no vento e conectar-se com alguém desconhecido como crianças ficam amigas num parquinho povoam seu imaginário e fazer artístico. 

Lara de Paula Passos é setelagoana, nascida em 10 de maio de 1995. Multiartista, poeta, arqueóloga, escritora, colagista. Trabalha artisticamente com videoperformance, declamação de poesia, elaboração de projetos gráficos, cursos de declamação, escrita criativa e colagens. Membra co-fundadora do LANÇA- Laboratório Amefricano de Narrativas Construtivas na Arqueologia, do coletivo Luzias de Mulheres na Arqueologia e da Rede de Arqueologia Negra (NegrArqueo). Compõe algumas coletâneas literárias, dentre elas "Escritas femininas em primeira pessoa" (Oralituras, 2020); "CAROLINAS - A nova geração de escritoras negras brasileiras" (Flup e Bazar do tempo, 2021); e "POETAS NEGRAS BRASILEIRAS - uma Antologia (Editora Cultura, 2021). Em 2021, lançou seu primeiro livro solo intitulado "Nuvilíneas" (Alecrim Edições, 2021). Com mais de 250 exemplares vendidos, o Nuvilíneas foi viabilizado pela lei Aldir Blanc. Também é autora da Graphic Novel Por Um Fio (Kitembo edições do futuro, 2021), ilustrada por Will Rez. A partir da Arqueopoesia, propõe novas possibilidades de atravessamentos entre os universos arqueológicos e poéticos, e encara a escrita como uma ferramenta política de cura ancestral.

 

SERVIÇO

Navegando em Artes Plurais -  2ª Edição

Curso gratuito presencial

Inscrições: até 06 de Abril via formulário on-line

Local de realização: Museu Mineiro - Av. João Pinheiro, 342, Funcionários - BH/MG

Datas das oficinas: semana 1: (8 e 11/04); semana 2: (15 e 17/04); semana 3: (22 e 24/04) e semana 4 (29 e 30/04)

Horário: sempre de 15h às 17h30

sexta-feira, 28 de março de 2025

exposiçã0 Júlio Minervino - GRAPHIAS _ SP

 




exposição Amazônia Vida - José Roberto Aguilar - Dan Contemporânea - SP

José Roberto Aguilar, A Dança Sagrada do Pajé | 2024.


Mostra reúne 15 obras de grande formato que ilustram, através da pintura, a entidade amazônica e discutem a relação entre natureza e humanidade. Mostra inaugura 29 de março e integra o tradicional Circuito SP-Arte

A DAN Contemporânea apresenta Amazônia Vida, uma exposição de José Roberto Aguilar que explora as dimensões físicas e simbólicas da floresta por meio da pintura. Com um conjunto de 15 obras de grande formato, o artista retrata a Amazônia como uma entidade viva, vibrante e repleta de cor e movimento. Com curadoria de Fabio Magalhães, a mostra convida o público a refletir sobre a relação entre natureza e humanidade, os ciclos da vida, a fluidez do tempo e a transitoriedade da existência. A abertura está marcada para 29 de março e integra o tradicional Circuito SP-Arte, evento gratuito que antecede a feira e movimenta o complexo de galerias de arte e design da capital paulistana.

“Tentar categorizar a arte de Aguilar é correr atrás do vento”, descreve a jornalista Leonor Amarante. José Roberto Aguilar entrou na cena artística brasileira no início dos anos 1960, quando foi selecionado para participar com três pinturas na VII Bienal São Paulo. A partir daí integra as mais importantes manifestações artísticas do país.

Posteriormente, Aguilar participou de várias edições da Bienal de Arte de São Paulo e realizou inúmeras exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior – Japão, Paris, Londres, Estados Unidos e Alemanha. Suas pinturas estão presentes no acervo de museus no Brasil e no exterior (Museu de Arte Moderna – Rio de Janeiro, Museu de Arte Contemporânea – São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea – Niterói, Museu de Arte Brasileira -SP, Hara Museum-Japan, Austin Museum of Art-US) e também integram importantes coleções particulares (Gilberto Chateaubriand, João Sattamini, Haron Cohen, Greg Ryan, Joaquim Esteves, Jovelino Mineiro, Miguel Chaia, Roger Wright, Ricardo Akagawa, João Carlos Ferraz entre outros). Em meados nos anos 1990 tornou-se diretor da Casa das Rosas, dinamizando aquele espaço cultural com grandes exposições sobre cultura brasileira (1996-2002) e iniciativas pioneiras com arte e tecnologia. O seu trabalho como gestor cultural fez com que fosse convidado pelo então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, para ser o representante do Ministério da Cultura em São Paulo (2004-2007). Atualmente, Aguilar concentra em seu acervo importantes obras e documentos da história da arte e da cultura no Brasil. Compreende quadros, instalações, fotografias, documentos, livros, entre outros.

Sua obra transborda ritmo e dinamismo, como se cada pincelada acompanhasse uma melodia invisível. Sua pintura não se limita à imagem; incorpora palavras, símbolos e trechos textuais que expandem sua linguagem visual com composições evocam uma aura épica, carregada de força e intensidade.

Fabio Magalhães curador da mostra acrescenta que “Aguilar sempre pintou como um lutador. O embate entre tintas e tela e a coreografia gestual, são atores importantes na construção da sua poética visual. Isto é, o artista desenvolve um verdadeiro corpo a corpo com a tela, numa relação veloz entre pensamento e ação. Basta visitar seu ateliê para perceber que nesses embates pictóricos seus golpes de tinta extravasam, em muito, os limites da tela.”

Desde 2004, o artista se divide entre São Paulo e Alter do Chão, no Pará, onde mantém casa ateliê e uma forte relação com a Floresta Amazônica e a comunidade ribeirinha local.

"O bioma amazônico acende uma nova poética no meu trabalho, onde as forças indomáveis da floresta tropical confrontam a sensibilidade urbana. Em Alter do Chão, mergulho na vastidão do ecossistema amazônico, onde a luz de cada manhã e o matiz de cada pôr do sol revelam a vida oculta da floresta. Aqui, entre as vinhas, os pássaros e a sabedoria dos xamãs, encontro um mundo onde tudo está conectado, onde a vida e a morte dançam em um ciclo contínuo de renovação.", diz José Roberto Aguilar.

 

Sobre o artista

José Roberto Aguilar (São Paulo SP 1941)

Pintor, videomaker, performer, escultor, escritor, músico e curador.

A partir dos anos 1950, José Roberto Aguilar realiza obras que possuem um caráter mágico-expressionista, em diálogo com a abstração, caracterizadas pela espontaneidade na pintura, obtida pela aplicação rápida da tinta. Autodidata, integra o movimento performático-literário Kaos, em 1956, com Jorge Mautner (1941) e José Agripino de Paula. Em 1963, expõe pinturas na 7ª Bienal Internacional de São Paulo. Considerado um dos pioneiros da nova figuração no Brasil, participa da mostra Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, em 1965. Na Série Futebol 1 (1966), emprega manchas de cor e tintas escorridas, em cores contrastantes, causando grande impacto pelo caráter fantástico das figuras disformes. Por volta de 1963, sua obra passa a revelar preocupações político-sociais. O artista realiza experiências com pinturas a spray e pistola sobre grandes superfícies de tela. Por meio dessas técnicas, obtém efeitos originais, captando a atmosfera dos luminosos em néon, típica das metrópoles atuais.

Nessa época, passa a pintar com spray e pistola de ar comprimido. Vive em Londres, entre 1969 e 1972, e em Nova York, entre 1974 e 1975, época em que inicia suas experimentações com vídeo. Volta a morar em São Paulo em 1976. No ano seguinte, participa da 14ª Bienal Internacional de São Paulo com a instalação Circo Antropofágico Ambulante Cósmico e Latino-Americano Apresenta Esta Noite: A Transformação Permanente do Tabu em Totem, em que expõe 12 monitores de TV no palco do Teatro Ruth Escobar. Em 1981, além da Banda Performática, lança o livro A Divina Comédia Brasileira. Em 1989, realiza a performance Tomada da Bastilha, com a participação de 300 artistas, assistida por cerca de 10 mil pessoas em São Paulo. Nos anos 1990, faz pinturas em telas gigantes e esculturas em vidro e cerâmica.

Em 2002, na exposição Rio de Poemas, Aguilar realiza uma série de telas inspiradas em textos literários, como o conto A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa (1908 - 1967). A atração pela literatura e pela mitologia são constantes na produção do artista. Ele apropria-se da escrita e dos signos gráficos, tornando-os elementos integrantes de suas telas. Em suas pinturas, apresenta uma dinâmica multidirecional e revela a articulação de emoções. Nas telas da série Rio de Poemas, o artista diminiu a gestualidade, produzindo pinturas quase diáfanas.


 

 


Serviço

DAN Galeria Contemporânea

Amazônia Vida - José Roberto Aguilar

Curadoria: Fabio Magalhães

Abertura: dia 29 de março das 10h às 16h

Período expositivo: de 29 de março a 29 de maio de 2025

Local: DAN Galeria Contemporânea – Rua Amauri 73, Jardim Europa, SP

Horário: das 10h às 19h, de segunda a sexta; das 10h às 13h, aos sábados.

Entrada gratuita

Classificação indicativa: livre

Acesso para pessoas com mobilidade reduzida

E-mail: info@dangaleria.com.br

 

 

fonte:  

a4&holofote comunicação 

quinta-feira, 27 de março de 2025

Montagens rotativas diversificam estande da Casa Triângulo na SP-Arte com artistas representados pela galeria


Casa Triângulo


Cerca de 20 artistas terão suas obras expostas entre 02 e 06 de abril na Bienal do Ibirapuera. Na galeria, exposição "Vento Corta", de Zé Tepedino, abre dia 29/03 em paralelo ao circuito da maior feira de arte da AL

A Casa Triângulo estará na SP-Arte no período entre 02 e 06 de abril, no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, com uma mostra diversificada que reunirá obras de cerca de 20 artistas representados pela galeria.

Ao longo do evento, o estande terá montagens rotativas, contemplando diferentes artistas e transformando o ambiente com novos visuais a partir de trabalhos em pintura, escultura, instalações, desenhos e papéis, numa ampla gama de cores e formas.

Dentre os artistas representados pela Casa Triângulo, estarão presentes na feira:  Albano Afonso, Andy Villela, Ascânio MMM, Assume Vivid Astro Focus, Eduardo Berliner, Joana Vasconcelos, Juliana Cerqueira Leite, Lucas Simões, Lyz Parayzo, Marina Hachem, Matias Duville, Paul Setúbal, Sandra Cinto, Thix, Tony Camargo, Vânia Mignone, Zé Carlos Garcia e Zé Tepedino.

Em paralelo à SP Arte, a galeria abre neste sábado, 29 de março às 12h, a exposição “Vento Corta”, com montagens de Zé Tepedino a partir da ideia de movimento proposto pela ação do vento sobre os objetos, como nas obras com bandeiras, quanto pela ação de cortar, um gesto recorrente.

fonte:  
a4&holofote comunicação 


exposição Tramontana- Marlon de Paula e Maria Vaz - Fazendinha Dona Izabel, na Barragem Santa Lúcia - BH - MG

 

Foto: Maria Vaz e Marlon de Paula

Com abertura dia 4/4, exposição “Tramontana”, dos artistas visuais Maria Vaz e Marlon de Paula, ativa memórias e imaginários de Belo Horizonte

Evento de abertura acontece às 19h, na Fazendinha Dona Izabel, na Barragem Santa Lúcia, onde a exposição fica em cartaz até dia 31 de maio; com visitação gratuita, oficinas e roda de conversas, projeto mescla artes visuais, literatura, fotografia e inteligência artificial para criar e contar a história e de lugares e pessoas da capital


“Ninguém nunca vai esgotar o passado. Aceitar a invenção da memória é compreender que a oralidade, enquanto expressão, pode agir da mesma forma que a Inteligência Artificial (IA) nos arquivos, modificando aquela materialidade que, a princípio, parece estagnada”.


A partir dessa analogia assertiva do artista visual Marlon de Paula sobre a produção, o apagamento e as transmutações das memórias de Belo Horizonte, a exposição “Tramontana”, concebida por ele em parceria com a também artista visual Maria Vaz, abre as portas na capital mineira no dia 4 de abril (sexta-feira), na Fazendinha Dona Izabel, na Barragem Santa Lúcia, com evento gratuito e aberto ao público, que começa às 19h. A abertura contará com apresentação do Grupo Rosas de São Bernardo e venda de pasteis, caldo de cana e outras bebidas.


A exposição, que fica em cartaz até o dia 31 de maio (sábado, mistura artes visuais, fotografia, literatura, Inteligência Artificial (IA) e uma boa dose de realismo mágico para jogar luz em histórias, miragens e mitologias da cidade de Belo Horizonte, desde antes de sua fundação, como o Arraial Curral del-Rei do século XIX, até a metrópole habitada por pouco mais de dois milhões de pessoas atualmente. Junto ao projeto serão realizadas uma série de oficinas e rodas de conversa com Nívea Sabino, Gabriela Sá, Priscila Musa e Avelin Buniacá Kambiwá.


A escolha da Fazendinha Dona Izabel, uma das construções mais antigas da cidade, datada de 1894, erguida três anos antes da inauguração da capital (1897), e hoje transformada em centro cultural na Barragem Santa Lúcia, está alinhada ao objetivo principal da exposição “Tramontana”: trazer à tona aquilo que o progresso tentou engolir rápido demais. O imóvel, tombado pelo patrimônio municipal desde 1992, foi a residência de Dona Izabel, mulher negra e famosa matriarca mineira que conservou a edificação ao longo de 50 anos.


“O casarão foi restaurado em 2022 e, segundo a sua filha, esse era um sonho da Dona Izabel. Existe uma exposição permanente na casa que conta a sua história, com um memorial à Dona Izabel. O reconhecimento da história e a existência do espaço cultural é, inclusive, uma conquista coletiva da própria comunidade. É uma história muito viva ali. A nossa contribuição com essa ocupação é justamente a de movimentar e trazer uma programação para o espaço recém-restaurado, que ainda é pouco conhecido”, avalia a artista Maria Vaz.


Tramontana


O nome “Tramontana” é inspirado no conto homônimo de Gabriel García Márquez (1927-2014), publicado no livro “Doze Contos Peregrinos” (1992), e significa um “vento que sopra do norte” ou, nas palavras de Gabo, um “vento de terra inclemente e tenaz”, que modifica, desnorteia, abre e fecha caminhos. A artista Maria Vaz explica que a escolha por essa ideia tem relação com o desejo de deixar-se levar, assim como o vento da tramontana, mas, neste caso, em direção às descobertas de parte de uma Belo Horizonte escondida ou pouco comentada.


“(Há lugares e pessoas) que muitas vezes não estão na história e nos arquivos institucionais da cidade. Resistem na oralidade, na memória coletiva, talvez em arquivos privados. Mais do que isso, e talvez o mais importante, resistem no comum — no coletivo — que é algo que as grandes cidades tendem a seccionar. O que fazemos é tentar ativar isso, esse encantamento que existe no comum, que só é possível com o comum, justamente porque é nele que essas histórias nascem e sobrevivem, se ramificam e se transformam”, avalia a artista Maria Vaz.

 

Na perspectiva da historiadora Heloísa Starling, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que inspirou o processo de pesquisa, a história da capital mineira está atrelada a um acelerado desejo de modernização no início do século XX, que acumulou ruínas junto ao ímpeto desmedido do progresso. Neste contexto, memórias foram soterradas, resistindo, muitas vezes, na transitoriedade da oralidade.

 

“O que não é propriamente exibido ou catalogado é que a construção do novo pressupõe, antes de tudo, uma destruição: de modos de vida e de imaginários, do meio ambiente, de seres e sujeitos que não se enquadram no projeto de desenvolvimento e modernidade, no ideário de futuro”, diz a artista Maria Vaz. E, nas palavras de Starling, “nenhuma outra capital parece ter instalado, desde sua origem, um processo tão rotineiro de transformação, degeneração e mudança do espaço que, no limite, impede à cidade acumular memória”.

 

É justamente nesse certo impedimento ao acúmulo de memória, causado por hecatombes velozes de mudança em direção ao novo, que Maria Vaz e Marlon de Paula se debruçam para elaborar criações artísticas multilinguagens e ressaltar uma Belo Horizonte pouco reverberada para a sociedade. O trabalho incluiu a busca por arquivos fotográficos privados, entrevistas e pesquisas em órgãos oficiais, como o Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH) e o Museu da Imagem e do Som (MIS BH). O texto crítico da exposição é assinado pela curadora e pesquisadora Carolina Ruoso, que trabalha com a proposta de museus orgânicos e comunitários.

 

Videoartes e instalações


Com um projeto imersivo, a exposição “Tramontana” possui paredes que remetem às esquinas famosas esquinas da capital mineira, popularmente conhecidas como pontos de encontros e referência afetiva para os moradores. E chama a atenção pelas instalações e videoartes, alimentadas por muitos estímulos sensoriais. “Sentimos a necessidade de que algumas obras ganhassem um espaço tridimensional, em que os estímulos sonoros e visuais ajudassem a contar essas histórias”, diz Marlon de Paula.

 

“Teremos uma videoarte sobre o Ricardo Malta, o homem que duelou contra o Capeta do Vilarinho e venceu. E uma videoarte com imagens raríssimas da implosão de um conjunto de edifícios que abrigava a Galeria do Comércio, o Mercado Mauá e o Hotel Panorama, (na região da Lagoinha, porta de entrada de mercadorias e imigrantes que vieram trabalhar na construção da capital), um documento importante para contar as transformações socioespaciais desse bairro, que foi e é fundamental na história da cidade”, completa Marlon.

 

Com ajuda do programa MidJourney, de Inteligência Artificial (IA), que cria imagens a partir de descrições textuais e prompts de comando, os artistas produziram “novas Belo Horizontes”, incluindo nesses retratos parte das cosmovisões, dos sonhos e da oralidade de gente comum, que sustenta na memória longínqua uma cidade não registrada em livros ou documentos.

 

Nesse sentido, a exposição remonta histórias de grupos como o Rosas de São Bernardo, formado por mulheres com mais de 60 anos da região Norte de Belo Horizonte, e que preservam cantigas do tempo em que eram crianças. E das raizeiras e lavadeiras do Barreiro, que estão intrinsecamente relacionadas à proteção da Serra do Rola Moça.

 

Para além das criações digitais, as histórias ouvidas pelos artistas Maria Vaz e Marlon de Paula renderam uma série fotográfica noturna, denominada “Luz del Fuego”. A ideia busca representar, a partir de imagens escuras, capturadas com poucos pontos de luz, relatos de uma Belo Horizonte que também se criou no mistério da noite, com suas lendas, a exemplo da Loira do Bonfim, do Aventesma da Lagoinha e do Capeta da Vilarinho, e seus imaginários e personagens marcantes, como a atriz, dançaria, escritora e naturista Dora Vivacqua (1917-1967), mais conhecida como “Luz del Fuego”, que também inspira a série fotográfica.

 

Dora é considerada um símbolo da emancipação das mulheres, sendo a precursora do naturismo no Brasil, responsável por romper com os padrões da sociedade vigente nos anos 1940 e 1950, o que também lhe rendeu ataques e fantasias entorno de suas atitudes e discursos. “Durante as nossas andanças e conversas, ouvimos muito sobre a noite e como certas histórias, personagens e sensações só são possíveis durante a noite. Por isso, uma das séries que criamos é toda feita durante a noite. Mas não é qualquer noite, é a noite escura, pouco iluminada. A noite de uma cidade como Belo Horizonte não acolhe mais essas certas histórias e personagens e sensações, porque ela dá a ver demais”, explica Maria Vaz.

 

Ao olhar para Belo Horizonte como se a capital coubesse em muitas cidades, encantos e desencantos possíveis – e não apenas como uma construção linear de progresso homogêneo – num entrelaçamento entre passado, presente e futuro, a exposição “Tramontana” revela como a memória de um lugar é viva e continuamente transformada. “As histórias de um território, inclusive as que estão arquivadas, são vivas e estão em constante movimento. Elas seguirão se movimentando, ganhando novos pontos, como se conta em todo bom conto”, justifica Maria Vaz.

 

Oficinas e rodas de conversa


Entre os meses de abril e maio serão realizadas oficinas e rodas de conversa com convidadas que dialogam com a exposição “Tramontana”. Todas as atividades acontecem na Fazendinha Dona Izabel. No dia 10 de abril (quinta-feira), às 19h, a arquiteta Priscila Musa conduz um bate-papo a partir da temática “Arquivos Fotográficos e Memórias Insurgentes de Belo Horizonte", abordando histórias que não constam nos arquivos oficiais da cidade. Já nos dias 24 (quinta-feira) e 25 de abril (sexta-feira), das 14h às 17h, a poeta Nívea Sabino irá ministrar a oficina “Poesia Falada e Outras Histórias”, influenciada pelos ditos populares de BH.

 

Em outra perspectiva sobre as territorialidades, no dia 9 de maio (sábado), das 14h às 16h, Avelin Buniacá lidera a conversa aberta “Saberes e histórias dos povos originários e presença índigina no território de Minas Gerais". Nos dias 09 de maio (sexta-feira), das 19h às 21h, e 10 de maio (sábado), das 14h às 18h, a artista e pesquisadora Gabriela Sá irá ministrar a oficina “Poéticas do arquivo”, apresentando aos participantes o pensamento teórico que sustenta a existência de uma dimensão poética do arquivo. Por fim, Maria Vaz e Marlon de Paula também ministram uma oficina de “Processos Criativos e Inteligência Artificial”, no dia 17 de maio (sábado), das 14h às 18h, contando um pouco das inspirações de criação da exposição “Tramontana”.

 

Maria Vaz e Marlon de Paula


Artista visual e pesquisadora, Maria Vaz é doutoranda e mestra em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG. Em seus trabalhos, trata das relações entre memória, esquecimento, território e imaginário, por meio de fabulações críticas e poéticas, interseções entre imagem e palavra e o uso de arquivos públicos e privados. Com participações em exposições no Brasil e no exterior, foi indicada ao Prêmio PIPA 2023, contemplada pelo 5º prêmio Décio Noviello de Fotografia, pelo XVI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, pelos 8º e 9º Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger e pelo 10º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Possui três fotolivros publicados, sendo dois em parceria com Bárbara Lissa, com quem também participou de diversas exposições e forma o duo Paisagens Móveis, que tem como ênfase trabalhos que envolvem o meio ambiente e a ecocrítica.

 

Artista multimídia natural da região rural do Vale do Rio Doce, Marlon de Paula desenvolve uma pesquisa sobre ecologia e relações interespécies. Seu trabalho dialoga com os saberes tradicionais do campo e propõe cartografias geológicas que anunciam narrativas sobre a terra. Atualmente, é mestrando em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG. Participou de exposições nacionais e internacionais, incluindo as mostras "Proximity and Distance", no Goethe Institut, em Nova Delhi (Índia, 2022), "Artista de Artista", na Galeria Luisa Strina (2023), "Sonoridades de Bispo do Rosário", no Museu Oscar Niemeyer (2024), e "Abre Alas", na Galeria A Gentil Carioca (2024).

 

Foi contemplado pelo XVI Prêmio Funarte Marc Ferrez (2021), pelo 4º Prêmio Décio Noviello de Fotografia (2023) e pelo 9º Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger (2023). Integrou o programa de Residência do Museu Bispo do Rosário (2019), no Rio de Janeiro, e a residência no Labanque  Centre de Production et de Diffusion en Art Contemporain (2022), na França. No mesmo ano, lançou seu primeiro fotolivro, “Dilúvios”, resultado de um projeto na colônia psiquiátrica Juliano Moreira, em parceria com a editora Ars et Vita.


Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.


SERVIÇO | Exposição “Tramontana”, de Maria Vaz e Marlon de Paula”

Abertura. 4 de abril (sexta-feira), às 19h - Gratuito e aberto ao público

Visitação. 4 de abril (sexta-feira) até 31de maio (sábado). Quartas e quintas-feiras, das 10h às 16h;e às sextas e sábados, das 13h às 18h. Entrada franca.

Onde. Fazendinha Dona Izabel (Avenida Arthur Bernardes, 3.120, Barragem Santa Lúcia, Belo Horizonte)

Mais. Acompanhe o projeto no Instagram 

Mostra "Ar: Acervo Rotativo" - SESI São José dos Campos - SP

Acervo Rotativo

Mostra "Ar: Acervo Rotativo" chega ao SESI São José dos Campos, no interior de São Paulo

Projeto surgiu em 2018 com a ideia de suprir lacunas no setor cultural

exposição Mecânica dos Meios Contínuos - Marcius Galan - Luisa Strina - SP



Abre hoje, 27 de março: Marcius Galan na Luisa Strina


Infinito, 1998. 
Créditos: Estúdio em obra

Artista tensiona matéria, movimento e equilíbrio: obras que exploram a instabilidade e a permanência dos corpos no espaço

 Mecânica dos meios contínuos, individual de Marcius Galan, em cartaz a partir do dia 27 de março, apresenta um conjunto de obras, a maioria inéditas, que exploram o conceito de limite da resistência. São objetos e instalações que, aparentando estar à beira do colapso, continuam a cumprir seus movimentos e funções específicas. O título refere-se a uma área da física dedicada à formulação matemática dos fenômenos relacionados ao movimento e à deformação dos corpos sob a ação de agentes externos.

 

A extensa e diversa produção de Marcius Galan assimila conceitos e linguagens do cotidiano para reelaborar o espaço, tema central de sua obra. Seus trabalhos integram as coleções de MAM-SP, MAM-RJ, MASP, Pinacoteca de São Paulo, MAC-USP, Museum of Fine Arts Houston, Phoenix Art Museum e Inhotim. Participou de exposições em instituições como Palais de Tokyo, Wexner Center, Guggenheim Bilbao, Museu Serralves, Americas Society, Bienal de São Paulo, Bienal do Mercosul e Bienal das Américas. Foi vencedor do Prêmio PIPA em 2012 e fez residência na Gasworks Londres; e do prêmio Iberê Camargo em 2004 com residência na School of the Art Institute of Chicago.

 

Como programa público, uma conversa entre o artista, a curadora e pesquisadora Heloisa Espada, que assina o texto da exposição, e o colecionador e pesquisador Fabio Faisal acontecerá no dia 10 de maio, às 11h.

 

Quanto mais escura é a noite, mais vigorosa é a luz dos vaga-lumes

 

A primeira obra da mostra é Cinema (2025), que ocupa a sala principal da galeria, completamente às escuras. Um sistema de luz suspenso do teto simula o voo de dois vaga-lumes. Esses pequenos focos luminosos emitem sinais em um código de comunicação que só pode existir na ausência de luz. 

 

Além de explorar a percepção cinética, na qual o cérebro humano interpreta as piscadas de luz como movimento, Cinema presta homenagem a Pier Paolo Pasolini (1922-1975). O cineasta italiano, em carta a um amigo, comparou o desaparecimento dos vaga-lumes à extinção da resistência ao fascismo na Itália. Segundo ele, a luz da propaganda fascista era tão intensa e uniforme que apagava nuances, a poesia e a própria resistência política.

 

Filmado no deserto, o vídeo Anti-horário (2025) registra um pequeno galho seco que, movido pelo vento, desenha um círculo perfeito na areia. A direção do vento muda constantemente, alterando o sentido do desenho. O som desempenha um papel essencial na obra: cada mudança de direção é pontuada por um ruído, reforçando a percepção da instabilidade do movimento. Infinito (1999), único trabalho pertencente a uma produção anterior do artista, é um tubo de vidro moldado na forma do símbolo do infinito, cujo ciclo contínuo é interrompido por um volume de cera que obstrui sua passagem, rompendo a ideia de continuidade.

 

A resistência dos materiais

 

Na Sala 2, os trabalhos lidam com a materialidade de maneira distinta. São obras feitas com pedras, carvão e ferro, nas quais há a intenção de confrontar o peso e a resistência destes materiais. Memória geológica (2025) consiste em duas pedras cortadas por uma linha de aço que se atraem para um ponto comum. A interação entre os vértices das linhas sugere uma força magnética que parece cortar as rochas, que, por sua vez, resistem ao movimento, criando uma tensão entre atração e oposição. Apesar da aparente dinâmica, a obra permanece estática.

 

De forma semelhante, Força resultante (2025) apresenta uma haste de madeira em uma posição aparentemente impossível, desafiando a gravidade. Uma linha de ferro sugere a manutenção desse equilíbrio ao se aproximar de um prego na parede, sem tocá-lo. A obra captura o instante de instabilidade entre a iminência da queda e um ponto de segurança.

 

Baixa resolução (2025) é uma grande composição de parede feita com cubos de madeira e carvão. As áreas chamuscadas evocam tanto a vista aérea de uma região devastada por queimadas quanto explosões pixeladas de videogames antigos, congelando um momento de destruição em linguagem básica que remete aos primórdios da representação virtual.

 

Por fim, Orbital (2025) é uma grande composição de placas pintadas com tinta automotiva preta sobre as quais são dispostas pedras minerais. Esses elementos determinam as órbitas de objetos cortantes que riscam a superfície industrial dos módulos. O atrito entre os materiais desenha padrões geométricos similares aos traços de um compasso, criando um contraste entre a delicadeza das linhas e a agressividade do movimento que as inscreve na superfície.

 

Ao longo da exposição, cada obra aborda o conceito de resistência, explorando a instabilidade dos materiais, a tensão entre equilíbrio e colapso, e a dinâmica entre permanência e efemeridade. Assim como na mecânica dos meios contínuos, os trabalhos investigam a relação entre forças externas e suas consequências sobre corpos físicos, levantando questões sobre fragilidade, persistência e transformação.

 

Sobre a Luisa Strina

 

Fundada em 1974, a Luisa Strina tem 50 anos de existência e ajudou a promover as carreiras de uma geração de novos artistas conceituais do Brasil, incluindo Antonio Dias, Cildo Meireles, Tunga e Waltercio Caldas. Em 1992, a galeria foi a primeira da América Latina a participar da feira Art Basel.


Luisa Strina começou a trabalhar com artistas brasileiros emergentes, como Alexandre da Cunha, Fernanda Gomes e Marepe. Ao longo dos anos 2000, o grupo foi ampliado para incorporar nomes latino-americanos — Jorge Macchi, Juan Araujo e Pedro Reyes — e artistas mulheres já estabelecidas, como Laura Lima, Leonor Antunes e Renata Lucas. Na última década, a consolidou a sua trajetória com a representação de nomes influentes incluindo Alfredo Jaar e Anna Maria Maiolino, assim como artistas mais jovens, como Bruno Baptistelli e Panmela Castro.

 

Serviço

Marcius Galan: Mecânica dos meios contínuos

Abertura: 27 de março, quinta-feira, das 18h às 21h

Visitação até 10 de maio de 2025

Conversa entre o artista, a curadora e pesquisadora Heloisa Espada, que assina o texto da exposição, e o colecionador e pesquisador Fabio Faisal: 10 de maio, sábado, às 11h.

Horários: segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 10h às 17h

Luisa Strina - Rua Padre João Manuel, 755, São Paulo

Horário: Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h Entrada gratuita 

Mais informações: www.luisastrina.com.br  

Instagram: @galerialuisastrina 

 

fonte:
a4&holofote comunicação 

mostra de desenhos de Flávia Duzzo - Galeria de Arte Univali - Campus Professor Edison Villela – Itajaí



Flávia Duzzo expõe na Univali em abril
Mostra apresenta desenhos recentes da artista

A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) recebe a exposição Devir Desenho, da artista Flávia Duzzo, a partir do dia dois de abril. A Mostra concentra mais de 20 obras em papel, em diversas dimensões, além de vídeo. As produções serão expostas na Galeria de Arte Univali, localizada no Campus Professor Edison Villela – Itajaí. A abertura será às 18h30 e a entrada é gratuita.

A exposição, que reúne trabalhos recentes da autora, aborda o pensamento do desenho e suas implicações com o próprio ato de desenhar, suas relações com outras linguagens como a pintura, a instalação, os objetos e com a história da arte. A curadoria da Mostra é da professora e também artista, Luciana Knabben.

O Mostra é organizada pela Galeria de Arte Univali, vinculada à Diretoria de Extensão, Cultura e Responsabilidade Social. As obras de Flávia Duzzo ficam expostas na Univali até o dia 25 de abril. A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 21h30.

Saiba mais sobre a artista

Flávia Duzzo é natural de Porto Alegre, mas vive e trabalha em Florianópolis. É artista visual, professora e pesquisadora. É doutora em Artes Visuais (poéticas visuais) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com mestrado em Artes Visuais - Teoria e Crítica pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) com graduação em Artes Plásticas - ênfase em Desenho, também pela UFRGS.

A artista já foi contemplada com o Prêmio Mérito Cultural - FCC pela Lei Paulo Gustavo (2023), participou da 14ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba (2019) e das exposições “Todo Desenho”, no Museu da Escola Catarinense (Udesc), em  Florianópolis (2024) e “Corporeidade do Desenho”, nas Galerias do SESC de Itajaí e São Bento do Sul (2018). Conheça mais sobre a artista no perfil @flaviaduzzo no Instagram.

Curadoria

Luciana Knabben é responsável pela Mostra que será exposta na Univali. É artista (Helena Fretta Galeria de Arte), arquiteta, curadora (adjunta, Galeria Univali Itajaí) e professora na Univali. Knabben é doutora em Teoria e História da Arte e graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC. Também é bacharel em Pintura e Gravura pela Udesc.

Mais informações: com a curadora das exposições das Galerias de Arte Univali, professora Ane Fernandes - (47) 3341-7869 ou ainda pelo perfil da Galeria de Arte Univali no Instagram: @galeriadearteunivali

exposição O Ser Mulher - Galeria de Arte Univali - Campus Biguaçu



 Univali recebe a exposição O Ser Mulher - Mostra apresenta quadros de pintura a óleo no Campus Biguaçu

 

A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) vai receber a exposição de quadros “O Ser Mulher”, da artista Marcia Cardoso de Souza e suas alunas. A abertura será no dia sete de abril, às 18h30, na Galeria de Arte Univali, Campus Biguaçu. As pinturas revelam a profundidade das experiências que moldam a mulher ao longo da vida, despertando reflexões. O evento é aberto ao público em geral.

 

O período de visitação vai até 19 de maio, de segunda a sexta-feira. Confira os horários de funcionamento da Galeria de Arte Univali no Campus Biguaçu:

Segunda – das 8h às 12h e 15h às 22h20
Terça e Quarta – das 15h às 21h
Quinta e Sexta – das 13h30 às 22h20

 

A Mostra é organizada pela Galeria de Arte Univali, vinculada à Diretoria de Extensão, Cultura e Responsabilidade Social. 

 

Sobre a artista

 

Marcia Cardoso sempre foi apaixonada por arte e teve o talento incentivado desde a infância, principalmente por seus pais. A artista cursou Estilismo e Moda pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e também participou de cursos de pintura a óleo sobre tela.

 

Em 1995, na juventude, venceu um concurso de artes promovido pela Faber-Castell. Como reconhecimento, seu desenho foi impresso em cadernos distribuídos em todo o território nacional. Essa foi sua primeira exposição oficial.

 

Marcia tinha vontade de compartilhar o seu conhecimento. Então, passou a ensinar técnicas de pintura de forma gratuita, atendendo pessoas que sonhavam em pintar, mas não tinham condições financeiras. O trabalho de professora se expandiu, ela atuou na Escola Profissional Professora Nilza Maria da Silva, em São José, e teve contato com mais cursos para aprimorar suas técnicas.

 

Atualmente, Marcia é professora da empresa Corpore, ministrando cursos de pintura a óleo sobre tela para alunos da Prefeitura Municipal de Biguaçu. Ela também se dedica ao ensino em seu ateliê particular, na mesma cidade.

 

Mais informações: com a curadora das exposições das Galerias de Arte Univali, professora Ane Fernandes - (47) 3341-7869 ou ainda pelo perfil da Galeria de Arte Univali no Instagram: @galeriadearteunivali​.

 

Texto: Fernanda Amaral (estagiária) - com supervisão de Carina Carboni*