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escolhidos por MARIA PINTO
(Maria Regina Pinto Pereira)

http://maregina-arte.blogspot.com/

quarta-feira, 13 de maio de 2026

exposição Reverberações do Gesto - Moffat Takadiwa - SP

 

Moffat Takadiwa, detalhe da obra Selfie, 2026. Foto: Estúdio em Obra

Moffat Takadiwa estreia sua primeira exposição individual no Brasil na galeria Almeida & Dale

Após a 36ª Bienal de São Paulo, o artista retorna à cidade com um conjunto de obras inéditas que aprofundam sua investigação sobre consumo, história e meio ambiente a partir de materiais descartados

São Paulo, SP — A Almeida & Dale tem o prazer de apresentar Reverberações do Gesto, a primeira individual de Moffat Takadiwa (1983, Hurungwe, Zimbábue) no Brasil. Com abertura no dia 16 de Maio, a exposição reúne um conjunto de obras inéditas que abordam a cultura de consumo, suas origens coloniais e suas consequências ambientais. Tratam-se de trabalhos em grandes dimensões que se assemelham a mosaicos ou tapeçarias e que evidenciam sua materialidade oriunda dos rejeitos plásticos e eletrônicos.


Conhecido do público brasileiro desde sua participação na 36ª Bienal de São Paulo (2025), onde apresentou a instalação imersiva Portals to Submerged Worlds, Takadiwa também representou o Zimbábue na 60ª Bienal de Veneza (2024). Seus trabalhos são constituídos por meio da seleção, organização e composição de resíduos plásticos de objetos cotidianos — como teclas de computador, tampas e pincéis de esmalte, escovas de dentes, pentes e outros refugos cotidianos das sociedades ocidentais —, materiais que evidenciam os padrões de consumo e descarte em um mundo conectado pelo capitalismo global.

Moffat Takadiwa, detalhe da obra Survival Mode, 2026. Foto: Estúdio em Obra

Takadiwa produz sua obra colaborativamente, com uma rede que se formou em torno do Mbare Art Space, ateliê fundado pelo artista em 2019 que promove a criação de uma rede de artistas, a qualificação do trabalho e a renovação urbana de Mbare, uma das regiões mais antigas e densamente povoadas na cidade de Harare, a capital zimbabueana. O ateliê ocupa um antigo beer hall, tipo de cervejaria que era estabelecida e controlada pelas autoridades coloniais britânicas como parte de uma estratégia de segregação, regulação do lazer e restrição da organização política. O legado colonial do espaço, portanto, é ressignificado. Em torno do Mbare Art Space, o trabalho em aterros, comum às comunidades locais torna-se uma etapa fundamental na produção de Moffat Takadiwa e de outros artistas da região passa a ser qualificado simbólica e monetariamente. 


Nas obras em exposição, o olhar crítico para a realidade histórica soma-se ao convite para a imaginação e construção de uma realidade pautada pela coletividade, cooperação e interdependência.

Moffat Takadiwa, Silver Line, 2026. Foto: Estúdio em Obra 

Sobre Moffat Takadiwa

1983, Hurungwe, Zimbábue

Vive e trabalha em Harare, Zimbábue


Em sua prática, Moffat Takadiwa aborda a cultura de consumo contemporânea e o pós-colonialismo por meio da apropriação de objetos cotidianos descartados. O artista recupera itens como teclados de computador, tubos de pasta de dente, tampas de garrafa e outros resíduos plásticos de centros de reciclagem e aterros para transformá-los em esculturas e peças de parede. Combinando objetos industriais com técnicas manuais de costura, suas obras resultam em ricas composições de cores, formas e texturas cuidadosamente elaboradas que evocam a tapeçaria.


O trabalho de Takadiwa aponta para um mundo interconectado pelo consumo, em que o capitalismo global impõe uma certa homogeneidade aos modos de vida — perceptível na onipresença de certas marcas e formas padronizadas —, enquanto contesta o colonialismo, suas persistências contemporâneas e suas consequências climáticas. De alcance global, sua obra realiza um movimento de recuperação e valorização das tradições do Zimbábue. Fundador do Mbare Art Space, Takadiwa fortalece comunidades locais por meio de práticas coletivas de trabalho, propondo novas organizações formais e de linguagem.


Takadiwa teve exposições individuais em instituições ao redor do mundo, como Recoded Memories, Washington & Lee University, Lexington, EUA (2025); Tales of the Big River, Centre d’art contemporain, Gennevilliers, França (2024); Vestiges of Colonialism, National Gallery of Zimbabwe, Harare, Zimbábue (2023); e Witch Craft: Rethinking Power, Craft Contemporary, Los Angeles, EUA (2021). Sua obra também foi incluída em exposições coletivas de destaque, entre elas a 36a Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática (2025); Tukku Magi: Rhythm’s, Latvian Museum of Art, Riga, Letônia (2025); Avantgarde & Liberation, Mumok, Viena, Áustria (2024); Pavilhão da República do Zimbábue na 60ª Bienal de Veneza, Stranieri Ovunque, Itália (2024); Color is the First Revelation of the World, Orange County Museum of Art, Costa Mesa, EUA (2024); signifying the impossible song, Southern Guild, Los Angeles, EUA (2024); Africa Supernova, Kunsthal KAdE, Amersfoort, Holanda (2023); Nous sommes tous des lichens, Musée d’art contemporain de la Haute-Vienne – château de Rochechouart, França (2022); This is Not Africa: Unlearn What You Have Learned, ARoS Museum, Arhus, Dinamarca (2021); Thread., Long Beach Museum of Art, Long Beach, EUA (2019); Stormy Weather, Museum Arnhem, Holanda (2019); Second Hand: Selected Works from the Jameel Art Collection, Jameel Arts Centre, Dubai, Emirados Árabes Unidos (2019); Material Insanity, Museum of African Contemporary Art Al Maaden, Marrakech, Marrocos (2019); e Chinafrika. under construction, GfZK Leipzig, Alemanha (2017).


Suas obras integram coleções como Arsenal Contemporary Art, Canadá; Art Jameel Centre, Emirados Árabes Unidos; CC Foundation, China; CNAP, França; Fondation Villa Datris, França; Fondazione Golinelli, Itália; Fonds d’art contemporain, França; Institute Museum of Ghana, Gana; Institute of Contemporary Art, EUA; King Abdulaziz Center for World Culture, Arábia Saudita; Mumok, Áustria; MACAAL, Marrocos; Roc Nation Collection, EUA.


Sobre Almeida & Dale


Fundada em São Paulo, em 1998, a Almeida & Dale promove o legado de artistas emblemáticos e emergentes, ao impulsionar a produção contemporânea nos cenários nacional e internacional. Com três endereços em São Paulo, a galeria realiza um programa expositivo e editorial de excelência, estabelece parcerias com instituições e coleções de renome e está presente nas principais feiras de arte mundiais, o que a posiciona como uma das mais influentes galerias brasileiras.   


Representando mais de 50 artistas e espólios, reúne nomes fundamentais dos modernismos brasileiros, figuras-chave para a formação da arte contemporânea e a sua projeção internacional, além de artistas em plena atuação que continuam a redefinir o horizonte artístico. Em 2025, ao finalizar sua fusão com a prestigiada galeria Millan, estabelecida em 1986, também em São Paulo, a Almeida & Dale abraça um histórico de comprometimento profundo com o experimentalismo artístico, de colaboração estreita com artistas para os posicionar nas principais exposições e instituições do mundo e de impulsionamento internacional de carreiras.   


De maneira ativa, a galeria assume o desafio de difundir múltiplas perspectivas e novas aproximações, centrada em ser uma plataforma para os artistas em projetos potentes. Ao unir expertise artística e um olhar estratégico para as dinâmicas globais do setor, a galeria fomenta a expansão e a capilarização da arte latino-americana por meio de uma atuação que segue amplificando e impulsionando o mercado globalmente. A Almeida & Dale é liderada pelos sócios-executivos Antonio Almeida, Carlos Dale, Hena Lee e João Marcelo de Andrade Lima.


Serviço


Moffat Takadiwa: Reverberações do Gesto

16 de maio a 20 de junho de 2026

Rua Fradique Coutinho, 1360

Segunda a sexta-feira: 10h às 19h

Sábado: 11h às 16h 


Entrada gratuita


R. Fradique Coutinho 1430, 1360

R. Caconde 152 · SP, Brasil

@almeidaedale

www.almeidaedale.com.br




-mostra Atlântico Sertão - Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP)


 

S/ Título, da série Travessia de retorno, 2022. Márvila Araújo. Foto divulgação



ATLÂNTICO SERTÃO

Com participação de mais de 70 artistas, mostra no CCBB São Paulo propõe releitura do sertão como espaço ampliado de resistência em defesa dos direitos humanos por meio da arte contemporânea

São Paulo, maio de 2026 - O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) apresenta a exposição Atlântico Sertão. São mais de 70 artistas, de diferentes regiões, para apresentar o sertão como um território ampliado de resistência. O projeto ocupa todos os andares do edifício com pinturas, esculturas, fotografias e instalações que, sob uma perspectiva decolonial, transforma a arte em memória e afirmação. A mostra articula os conceitos simbólicos de “Atlântico” e “Sertão” em uma narrativa crítica sobre espaços historicamente marcados por violência e exclusão, reconfigurando-os como um campo de criação e defesa de direitos humanos.

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar diferentes narrativas sobre o país”, explica Ariana Nuala, que assina a curadoria ao lado de Marcelo Campos, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade. “Sertão é uma palavra construída, inventada para lugares distantes", destaca Marcelo Campos. “Na exposição, atualizado pelos artistas, apresentamos o sertão da tecnologia, do couro, aquele que reflete sobre ecologia e preservação ambiental”, completa o curador.

Atlântico Sertão se baseia nas pesquisas acadêmicas de Marina Maciel, responsável pela direção geral e concepção do projeto. “Adotamos o sentido metafórico de Guimarães Rosa: ‘O sertão está em toda parte’. Esse espaço irrestrito é ressignificado como lugar de resistência e (re)existência de grupos historicamente minorizados que, pelas veredas artísticas, rompem as cadeias da opressão colonial em defesa dos direitos humanos”, pontua Marina Maciel.

O projeto expográfico é assinado por Gisele de Paula, primeira mulher negra a assinar a expografia da 36ª Bienal de São Paulo. Sua proposta cria um percurso imersivo pelos pavimentos do CCBB, utilizando cores intensas inspiradas na paisagem cromática da região: “Refletimos sobre um sertão vivo. A intenção é transformar o espaço expositivo em uma experiência sensorial que conecta as diversas narrativas presentes nas obras”, comenta a arquiteta.

O impacto durante a visita ocorre tanto pela presença das obras de arte quanto pela transição simbólica das cores das paisagens sertanejas. O percurso inicia-se com o verde profundo das vegetações que resistem e brotam nas veredas sertanejas, representando a força da vida que teima em florescer. Em seguida, o olhar é conduzido pela imensidão do azul absoluto do céu, que reflete a liberdade e a espiritualidade contida nos horizontes abertos. A jornada culmina no calor do laranja, vermelho e amarelo vibrantes do pôr do sol, tonalidades que banham o sertão ao fim do dia e simbolizam o fogo das lutas e a esperança que se renova em cada entardecer.

 

Os seis núcleos curatoriais

Estruturada em seis eixos, a mostra reúne diferentes perspectivas curatoriais que, juntas, constroem uma leitura múltipla e contemporânea do sertão como território vivo, colorido, atravessado por dimensões históricas, espirituais, políticas e ambientais.

No núcleo Sertão Atlântico, com curadoria de Marcelo Campos, a mostra parte da relação entre terra e mar para abordar heranças indígenas, africanas e populares. Em Cosmologias em Movimento, da curadora Rita Vênus, os destaques são as práticas espirituais como formas de organização da vida e leitura do mundo. Em Ecologias Ancestrais e Futuros da Terra, de Thayná Trindade, está o sertão como um campo de conhecimento ancestral que resiste a lógicas externas e projeta possibilidades de continuidade.

A dimensão coletiva ganha centralidade em Comunidade, Retomada e Sertões Negros, com curadoria de Amanda Rezende, que evidencia modos de vida baseados na partilha, na oralidade e na memória. Em Arquivos Vivos, Grafias e Inscrições da Terra, a curadora Ariana Nuala propõe o sertão como um sistema ativo de registro, onde inscrições ancestrais dialogam com tecnologias contemporâneas e novas formas de arquivo.

Encerrando o percurso, Sertão Atlântico, Travessias e Poeiras que Vêm do Saara, de Jean Carlos Azuos, amplia a perspectiva ao conectar Brasil e África por meio de relações geológicas, históricas e culturais. O núcleo evidencia fluxos de pessoas e saberes que atravessam o Atlântico, reforçando a ideia de que o sertão é também um território de circulação e permanência, onde diferentes tempos e geografias seguem em diálogo.

Os trabalhos apresentados em Atlântico Sertão são majoritariamente originários das regiões Norte e Nordeste, comunidades afrodescendentes e indígenas. Entre os participantes estão os artistas Antonio Obá, Ayrson Heráclito, Aline Motta, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Jaime Lauriano, Lidia Lisboa, Maria Macedo, Nádia Taquary, Rafael Bqueer, Rosana Paulino, Tunga, Ziel Karapotó e muitos outros (confira a lista completa no final deste texto).

A mostra apresenta trabalhos inéditos comissionados especialmente para a exposição, com destaque para a instalação da premiada artista multimídia biarritzzz. Projetada para o térreo do CCBB São Paulo, a obra reúne múltiplas telas digitais em uma estrutura triangular que dialoga com o imaginário do sertão, em referência ao triângulo, instrumento icônico dos trios de forró.

Concebida especialmente para o circuito CCBB, Atlântico Sertão permite uma experiência ampliada por meio de uma programação paralela que inclui visitas guiadas, debates com artistas e atividades educativas focadas no direito ao sonho, na reparação histórica e no papel da arte na defesa dos direitos humanos. Para Cláudio Mattos, Gerente Geral do CCBB São Paulo, “a mostra promove reflexões sobre identidade, inclusão e diversidade, por apresentar o sertão como espaço de invenção, resistência e multiplicidade cultural de forma potente e plural, demonstrando que a arte é instrumento de pensamento crítico e construção de novas narrativas sobre o Brasil’. Após a temporada paulista, a exposição segue para o CCBB Salvador, em setembro, e para o CCBB Brasília, no início de 2027.

 

Pedra Latente, 2023. Rodrigo Braga. Foto: divulgação

 

Coletivo Atlântico navega pela arte decolonial para avançar na defesa dos direitos humanos

Atlântico Vermelho, 2017. Rosana Paulino. Foto: divulgação

 

A reflexão sobre a defesa dos direitos humanos pela arte tem origem na pesquisa de Marina Maciel, iniciada no mestrado e aprofundada em seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), sob o tema “Direitos Humanos Achados na Arte” (MACIEL, 2024).

Essa investigação ultrapassou o campo teórico ao focar em ações concretas de transformação por intervenções artísticas. Em 2023 iniciaram-se as articulações do Coletivo Atlântico, como um movimento social, artístico, jurídico, político e filosófico.

Sob essa construção coletiva, a escolha da nomenclatura “Atlântico” se deu em virtude de o oceano representar morte e sofrimento por empreitadas coloniais. Agora, pela arte decolonial, ele é ressignificado como um mar de vida e resistência.

As intervenções do Coletivo consolidam-se como um projeto contínuo de mobilização. O percurso teve início com a edição “Atlântico Vermelho”, título inspirado na obra da artista Rosana Paulino, que utiliza a cor para denunciar o massacre e a escravização da população negra em um espaço não apenas geográfico, mas histórico. Nessa ocasião, pela primeira vez na história, o prédio principal da ONU em Genebra recebeu uma exposição com 22 artistas afro-brasileiros e uma delegação de 50 pessoas que realizaram palestras, performances e apresentações musicais. Ao final, os integrantes do Projeto Atlântico Vermelho construíram coletivamente uma sugestão de recomendação internacional que foi entregue na ONU.

A repercussão internacional levou à idealização da segunda edição: “Atlântico Floresta”. Inaugurada em novembro de 2024 no Museu de Arte do Rio (MAR), durante a cúpula do G20, a mostra reuniu cerca de 50 expoentes da arte contemporânea para denunciar o genocídio e o servilismo impostos aos povos originários. As ações serviram como plataforma de mobilização em defesa das demarcações de terras e do meio ambiente equilibrado, manifestando oposição às práticas exploratórias do agronegócio.

Como desdobramento prático, o Coletivo articulou também a minuta do Projeto de Lei nº 1.928/2024, que visa regulamentar a profissão de artista visual no Brasil e tramita no Congresso Nacional desde maio de 2024.

A exposição Atlântico Sertão foi selecionada no Edital CCBB 2026-2027 e viabilizada por meio da Lei Rouanet. O projeto conta com o apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), do Instituto Guimarães Rosa, Ministério das Relações Exteriores (IGR/MRE) e Museu de Arte do Rio (MAR).

 

CCBB SÃO PAULO

O Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, iniciou suas atividades há mais de 20 anos e foi criado para formar novas plateias, democratizar o acesso e contribuir para a promoção, divulgação e incentivo da cultura. A instalação e manutenção de nosso espaço, em pleno centro da capital paulista, reflete também a preocupação com a revitalização da área, que abriga um inestimável patrimônio histórico e arquitetônico, fundamental para a preservação da memória da cidade. Temos como premissa ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura, em suas diferentes formas. Essa conexão se estabelece mais genuinamente quando há desejo de conhecer, compreender, pertencer, interagir e compartilhar. Temos consciência de que o apoio à cultura contribui para consolidar sua relevância para a sociedade e seu poder de transformação das pessoas. Acreditamos que a arte dialoga com a sustentabilidade, uma vez que toca o indivíduo e impacta o coletivo, olha para o passado e faz pensar o futuro. Com uma programação regular e acessível a todos os públicos, que contempla as mais diversas manifestações artísticas e um prédio, que por si só já é uma viagem na história e arquitetura, o CCBB SP é uma referência cultural para os paulistanos e turistas da maior cidade do Brasil.

 

SERVIÇO
Exposição: Atlântico Sertão

Local: CCBB São Paulo   

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro   

Data: Até 3 de agosto de 2026

Horário: das 9h às 20h, exceto às terças

Gratuito

 

Informações CCBB São Paulo

Funcionamento: Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças

Contato: (11) 4297-0600 | E-mail: ccbbsp@bb.com.br

Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas - necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.

Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.

Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.

Táxi ou aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).

Entrada acessível CCBB SP: pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.  

 

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Contato Coletivo Atlântico

Site: www.projetoatlantico.com.br

Redes sociais: www.instagram.com/coletivoatlantico/

exposição Exprressões - Siron Franco - Goiânia

 

Madona Nua, óleo sobre madeira, 50x40, Siron Franco, 1976_Divulgação Siron Franco

Exposição reúne mais de 100 obras de Siron Franco na Vila Cultural Cora Coralina

"Expressões" revela o olhar contundente do artista sobre ditadura, desigualdade e tragédias que marcaram o país. Até 6 de julho, na Vila Cultural Cora Coralina

Maio de 2026 - Goiânia recebe, até 6 de julho, a exposição Expressões, dedicada à obra de Siron Franco. Em cartaz na Vila Cultural Cora Coralina, a mostra reúne mais de 100 trabalhos produzidos entre as décadas de 1960 e 1980 — período decisivo na formação estética e política do artista.

Com forte carga expressionista, as obras evidenciam o olhar crítico de Siron sobre o contexto social brasileiro, traduzindo em imagens o desconforto diante de temas como repressão, desigualdade e violência. O recorte curatorial privilegia trabalhos que dialogam com episódios marcantes da história recente, como a ditadura militar e o acidente com o Acidente com o Césio-137 em Goiânia, cuja abordagem expositiva inclui um ambiente imersivo que remete à cápsula do material radiológico.

Outro destaque é a instalação dedicada ao feminicídio, composta por dezenas de Madonas produzidas pelo artista nos anos 1970 e 1980, em uma reflexão potente sobre violência de gênero e religiosidade. As obras apresentadas pertencem a uma fase em que Siron, ainda jovem, começa a ganhar projeção nacional e internacional.

A exposição se estrutura a partir da arte como ferramenta de leitura e intervenção no mundo, colocando em diálogo questões universais como fome, desigualdade e resistência cultural. O percurso inclui ainda a instalação Fome, do artista e curador Aguinaldo Coelho.

Idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim destaca a força simbólica do conjunto apresentado. “Siron Franco não pinta apenas quadros — ele realiza verdadeiras biópsias do tecido social brasileiro. Expressões reúne o trauma da ditadura, o luto radioativo do Césio 137, as tensões do sincretismo religioso e a persistência da desigualdade contemporânea”, afirma.

Para o artista, a exposição propõe uma experiência formativa e provocadora. “A ideia é estimular reflexões sobre acontecimentos históricos que ainda reverberam na sociedade. É uma oportunidade de aproximar o público de obras que dialogam com a cultura, a identidade e a história goiana e brasileira”, diz Siron.

 

Sobre o artista - Nascido na cidade de Goiás, em 1947, Siron Franco é pintor, escultor, desenhista, gravador, ilustrador e diretor de arte. Ao longo de sua carreira, acumulou importantes reconhecimentos, como o prêmio da I Bienal da Bahia (1968), o destaque no I Salão Global da Primavera (1973) e premiações nas edições XII (1974) e XIII (1975) da Bienal Internacional de São Paulo. Também recebeu os principais prêmios do Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro, consolidando-se como um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea brasileira.

A exposição é realizada com recursos do Programa Goyazes, do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, com apoio da Óticas Vida.

 

Serviço – Exposição “Expressões”
Período expositivo: até 6 de julho de 2026
Visitação: segunda a domingo, das 9h às 17h
Local: Vila Cultural Cora Coralina
Endereço: Rua 23 com Rua 3, Setor Central – Goiânia (GO)
Entrada gratuita

 fonte: Cor Comunicação

Mostra "Para falar de amor" - Novo endereço artístico é inaugurado no centro de São Paulo



Mostra "Para falar de amor" realiza segunda edição e ocupa o novo Espaço Kura com 27 instalações da arte de rua até 7 de junho

 

A segunda edição da mostra “Para falar de amor” reúne 27 ocupações da arte de rua e inaugura o novo endereço do Espaço Kura: o Edifício Cotonifício, localizado no Largo do Paissandu, centro de São Paulo. Com curadoria de Saulo di Tarso e Kauê Fuoco, o projeto transforma o local em um lugar de criação e propõe uma experiência que articula produção, exposição e convivência. 

O edifício escolhido carrega uma forte dimensão simbólica. Localizado em uma das regiões mais emblemáticas de São Paulo, o Cotonifício reúne camadas históricas que vão da atividade industrial ao uso como hotel, refletindo transformações urbanas e sociais. “É um espaço que evoca a memória de um centro pulsante, que já foi um dos mais importantes da cidade. O trabalho do Kura é justamente atuar nessa ressignificação”, destaca, um dos curadores, Saulo di Tarso.

Um dos destaques do projeto é a “Zona Neutra”, uma área de experimentação contínua dentro do edifício. Sem intervenções pré-definidas, o ambiente será ativado ao longo da mostra por artistas convidados e pelo público, em um modelo de curadoria em processo. 

Para Kauê Fuoco, idealizador do Kura e também curador da mostra, a exposição reafirma a autonomia como motor da criação. “Acreditamos que é possível realizar uma exposição desse porte sem depender de incentivos externos. Existe um valor na execução direta, no fazer com as próprias mãos. O Kura nasce dessa ideia de independência”, afirma. 

Serviço - Exposição “Para falar de amor” – 2ª edição

De 8 de maio a 7 de junho de 2026

Horário: De sexta a domingo, das 13h às 19h

Local: Edifício Cotonifício, Largo do Paissandú, s/nº – Centro São Paulo (SP)

Sobre Saulo di Tarso

Saulo di Tarso é artista visual e curador, especializado em estética comparada das artes visuais e da música moderna e contemporânea, arte urbana e novas mídias. Pesquisador de arte brasileira e sul-americana, colabora com diversas instituições de arte e cultura na América Latina. Além de ser ensaísta, museógrafo, produtor e arte-educador, coordenou espaços expositivos e programas de arte-educação, incluindo a Casa das Rosas e o Paço das Artes.Também atuou como curador em importantes instituições como o Museu Afro Brasil, a Casa do Olhar Luis Sacilotto, a Galeria da Unicamp e idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García – 150 anos, em colaboração com o Museu Torres García.

Sobre Kauê Fuoco

Produtor cultural, artista plástico e empreendedor, Kauê Fuoco é o idealizador do Kura, empresa que atua e transforma o mercado com eventos, arte, curadoria e marketing para marcas/empresas. Além disso, produz experiências itinerantes proprietárias que unem entretenimento, cultura, arte e gastronomia, de uma forma lúdica, buscando agregar para a cidade e para a comunidade por meio do upcycle e da revitalização urbana. Kauê é um entusiasta de histórias, propõe resgates culturais e urbanos reintegrando narrativas, espaços e materialidades. Em seus projetos une cultura, arte, sustentabilidade e entretenimento, criando ecossistemas sólidos e rentáveis de negócio.

Sobre o Kura

O Kura é uma plataforma de experiências, idealizada por Kauê Fuoco, que combina eventos, arte, curadoria e marketing para marcas e empresas, promovendo entretenimento e cultura por meio de eventos itinerantes e projetos de revitalização urbana. Com foco em upcycling e narrativa lúdica, busca ressignificar e reintegrar pessoas à cultura. A empresa opera em duas frentes: criação de experiências autorais e instalações artísticas para eventos próprios, e desenvolvimento de experiências personalizadas e estratégias de posicionamento para empresas.

Instagram: @kura.te

Casa de Acervo.Oficina anuncia restauro de quadros do artista Surubim Feliciano da Paixão

 

Pintura inspirada no espetáculo Mistérios Gozosos (1983) - Por Alessandra Cavaco

Casa de Acervo.Oficina anuncia restauro de quadros do artista visual e compositor Surubim Feliciano da Paixão

Espaço de preservação da memória do Teatro Oficina ganha novo foco com a conservação de pinturas do pernambucano. Iniciativa de projeto de continuidade, após final de aporte do ProAC, surge com provisão orçamentária vinda de locações, visitas guiadas, brechó e bilheteria de peças da companhia

O sobrado da Bela Vista que guarda três décadas de memória viva do Teatro Oficina acaba de ganhar um novo capítulo. A Casa de Acervo Oficina, espaço inaugurado em 2023 para abrigar figurinos, adereços e objetos de cena da histórica companhia – fundada por José Celso Martinez Corrêa, Renato Borghi, Carlos Queiroz Telles, Jairo Arco e Flecha, Amir Haddad e Moacyr do Val – anuncia agora o início do restauro de um conjunto de pinturas de Surubim Feliciano da Paixão, artista nascido em 1940, em Machados, no agreste pernambucano, e morto em São Paulo, em 1991.


Zelador, cirandeiro, músico, compositor e artista visual, Surubim trabalhou no Oficina a partir do retorno de vários integrantes da companhia do exílio, em 1979. No início dos anos 1980, participou de eventos musicais realizados pelo teatro, capitaneando um conjunto de ciranda e o grupo Forró do Avanço, além de integrar o circo comandado por Verônica Tamaoki e todos os movimentos forjados pela trupe do Oficina. 


Surubim também é autor de Tupi or not Tupi, uma das músicas mais emblemáticas da versão cinematográfica de O Rei da Vela, projeto iniciado em 1971 e interrompido em 1974 pela ditadura, quando seus idealizadores foram presos e exilados. Finalmente concluído em 1982, o filme teve direção de Zé Celso e Noilton Nunes, com Renato Borghi, José Wilker, Esther Góes, Henriqueta Brieba, Carlos Gregório e Maria Alice Vergueiro, entre outros, no elenco. Em 1985, com parte dos direitos autorais obtidos com a venda do filme para a Alemanha, Surubim produziu e gravou seu único disco autoral, Tupi or not Tupi, acompanhado do grupo Caboclos Cirandeiros e Os Tupis do Oficina e reafirmando a canção como um dos hinos da companhia.


Ao longo de 12 anos, Surubim foi também parte de uma geração que incluiu Edgard Ferreira, Sandy Celeste e Zuria – artistas que estiveram na linha de frente de um processo fértil para a construção do espetáculo Os Sertões – e foi ainda uma personagem chave no processo de tombamento e desapropriação do Teatro Oficina.


“Zelador, cirandeiro, músico compositor, artista visual, liderança política e artística: a obra de Surubim Feliciano da Paixão nasceu do chão do teatro, da convivência com os atores, da música e da fé que ele trazia de Pernambuco”, afirma Elisete Jeremias, diretora geral da Casa de Acervo Oficina. “Restaurar seus quadros é devolver a uma de nossas inspirações e um dos nossos mestres o devido lugar de destaque.”


Os quadros – o mais famoso deles, O Fantástico Cavalo Azul – foram criados por Surubim ao longo da década de 1980, especialmente durante as leituras e ensaios que antecederam a montagem de Mistérios Gozósos (1983). Pintadas sobre suportes improvisados como tampos de madeira, as telas sintetizam o espírito livre e a simbiose entre palco, arquitetura e imaginário popular que marcaram a retomada do Oficina após a volta de Zé Celso do exílio em Portugal e Moçambique.


O projeto de conservação será coordenado pela restauradora Valéria de Mendonça, que atuou na Pinacoteca do Estado de São Paulo, por 14 anos, e é referência na área de pintura de cavalete e na implantação de reservas técnicas em instituições públicas.


“Quando a Valéria veio aqui e viu os quadros do Surubim, ela se apaixonou na hora. Esse restauro não foi um trabalho encomendado – foi um encontro”, conta o ator Victor Rosa, coordenador geral da Casa de Acervo Oficina e integrante do Teatro Oficina desde 2018. “Ela reconheceu a precariedade radical da pintura, o artista que usava o que tinha, e disse: ‘Temos que fazer de qualquer jeito!’. Agora o Surubim é o próximo movimento natural desse organismo vivo que é a Casa de Acervo Oficina.”


Em 23 de Abril de 2026, dia de São Jorge, a sede do Bixiga da Casa de Acervo Oficina foi tomada pelo grupo de trabalho composto por Elisete Jeremias, Bianca Terraza, Joel Carlos, Alessandra Cavaco, Victor Rosa e Valéria de Mendonça, que deram início aos processos de pesquisa e restauração dos quadros de Surubim – ação coletiva que seguirá um cronograma de três meses, com atividades às segundas e quintas-feiras.


Balanço do ProAC

Ao longo de 12 meses, o aporte financeiro do ProAC transformou a Casa de Acervo Oficina do que seus coordenadores descreviam como um “depósito” para uma reserva técnica organizada e acessível. Mais de 3.500 peças foram catalogadas (superando a meta inicial de 3 mil), e mais de 2 mil itens foram digitalizados na plataforma Tainacan (UnB/Ibram), disponibilizando imagens e fichas técnicas para pesquisadores, escolas de moda, artistas e público geral interessado – tudo isso de forma gratuita graças a iniciativas públicas como o ProAC.


A equipe do projeto envolveu cerca de 20 artistas da própria companhia – atores, camareiras, cenotécnicos – sob a direção de Elisete Jeremias e coordenação de Victor Rosa. A camareira Cida Melo, há mais de 25 anos guardiã voluntária dos figurinos, foi peça-chave na preservação que permitiu que a coleção chegasse ao patamar atual, e a formação da trupe que conduz o dia a dia da Casa de Acervo Oficina foi potencializada com uma oficina de Conservação Têxtil com a consultora Cláudia Nunes, referência internacional, que ministrou técnicas de acondicionamento e higienização.


“Nosso trabalho com o ProAC nunca foi só cumprir metas. Foi provar que um acervo de grupo pode ser tratado com grande rigor técnico, sem perder a alma de teatro vivo”, explica Henrique Pina, gestor de projeto da Casa de Acervo Oficina. “Isso mostra o que o fomento público bem aplicado pode fazer: não apenas organizar o passado, mas lançar pontes para o futuro. É a prova de que, quando o poder público confia nos artistas, o retorno é concreto, público e duradouro. Agora, o grande sonho é termos um espaço com sede própria e uma central técnica unificada e acessível, que contemple todo o acervo do Teatro Oficina – mas esse primeiro passo já é histórico”, comemora.


O sobrado de três pavimentos que sedia a Casa de Acervo Oficina também passou por adequações de infraestrutura (segurança patrimonial, equipamentos contra incêndio e outros), e no espaço foram produzidos conteúdos audiovisuais de memória oral para o canal de YouTube do Teatro Oficina. A Casa de Acervo Oficina também incrementou, ao longo dos 12 meses de aporte do ProAC, o volume de visitas guiadas e segue realizando locações de peças da própria companhia e para projetos externos, teatrais, mas também audiovisuais e de eventos – gerando difusão do acervo e sustentabilidade.


“O restauro das obras do Surubim dá visibilidade a parte de uma vasta história do Teatro Oficina. Memória não é acúmulo. É responsabilidade. Com Vadim Nikitin e Catherine Hirsch aprendemos que a cena não termina na estreia – o trabalho continua, se refaz, se sustenta. Dar continuidade a esse legado é assumir um compromisso: não apenas guardar, mas cuidar, ativar e transmitir. Queremos escolas de moda, artistas, técnicos, estudantes. Queremos troca, circulação, sem exclusão. A Casa de Acervo Oficina aponta para um modelo de teatro que cuida do que produz. Preservar arte é uma escolha de futuro”, conclui Elisete jeremias.


Além das visitas e das locações, a Casa de Acervo Oficina também conta com um brechó e um ponto de vendas das mercadorias da companhia, além de receber uma porcentagem da bilheteria de espetáculos do Teatro Oficina que usem peças do acervo, para a viabilização da continuidade da rotina da casa, que pode ser acompanhada no perfil do Instagram @casadeacervo.oficina Mesmo com os avanços recentes, a manutenção do espaço ainda é frágil. A locação e manutenção do sobrado e a remuneração de profissionais dependem de novos apoios. Desde 2016, a companhia não conta com patrocínio regular. Por isso a Casa de acervo Oficina aceita doações e colaborações pela chave Pix casadeacervo.oficina@gmail.com


Sobre Elisete Jeremias

Griot das Técnicas de Palco, integra o Teatro Oficina desde 1996. Foi diretora de cena

de Os Sertões (Prêmio Shell especial) e Dionisíacas, além de produtora executiva e diretora de palco em mais de 35 espetáculos. Coordena a Casa de Acervo Oficina e está em cartaz com Senhora dos Afogados.


Sobre Victor Rosa

Ator formado pela SP Escola de Teatro, integra o Oficina desde 2018, tendo trabalhado com Zé Celso, Marcelo Drummond e Camila Mota. Coordenador geral da Casa de Acervo Oficina, também atuou nos grupos Os Satyros e Teatro da PombaGira.


Sobre Henrique Pina

Mestre em Performing Arts Management pela Accademia Teatro alla Scala/Politecnico di Milano. Formado em Cinema pela FAAP e em Técnicas de Palco pela SP Escola de Teatro. Gestor da Casa de Acervo.Oficina, com experiência em direção de palco e assistência de direção em óperas e peças.


Sobre Valéria de Mendonça

Conservadora-restauradora especializada em pintura de cavalete, foi coordenadora-chefe do Núcleo de Conservação e Restauro da Pinacoteca de São Paulo (1993-2017), onde implantou laboratórios e reservas técnicas para cerca de 12 mil obras. Atua em coleções públicas e privadas.

exposição Fio d’água - Laura Villarosa - SP

 

Crédito: Zipper Galeria

Paisagens de Laura Villarosa ocupam a Zipper Galeria

Artista desembarca em São Paulo para apresentar trabalhos recentes em que utiliza técnicas têxteis e diferentes materiais pictóricos

 

Maio de 2026- A partir de 16 de maio, a Zipper Galeria abre para o público Fio d’água, exposição de Laura Villarosa. Com texto crítico de Priscyla Gomes, a mostra reúne um conjunto inédito de trabalhos em que a artista constrói paisagens imaginadas em que pintura e bordado se constituem mutuamente.

As composições de Villarosa evocam territórios anteriores ao mapa, superfícies percorridas por linhas e relevos que parecem preceder qualquer tentativa de localização geográfica. A artista trabalha a imagem que se forma pela acumulação paciente do gesto, fora do registro figurativo direto.

O bordado funciona como uma linguagem plástica autônoma e como método de pensamento para sua pesquisa. Cada camada de fio assentada sobre o tecido adensa a imagem, constrói volume, cobre uma região da superfície para que outra se revele. Suas paisagens resultam de sobreposições e decisões acumuladas ao longo de um tempo dilatado.

Sobre os trabalhos de Laura Villarosa, Priscyla Gomes destaca no texto crítico da exposição: “Ao fazer da pintura uma prática atravessada pelo fio, Laura retoma uma história antiga de gestos transmitidos e reinventados. Tecer, costurar, bordar e entrelaçar são ações cotidianas, recorrentemente associadas à produção feminina, mas também potentes modos de exploração do sensível. Nessa fusão de labores, a artista aproxima imagem e matéria, visão e tato, superfície e profundidade”.

Para este conjunto, a artista trabalha com fios de procedências diversas: alguns chegam por meio de fornecedores especializados, outros por doação de pessoas próximas que passaram a reconhecer em sua prática uma atenção particular ao material. Fios naturais convivem com sintéticos no mesmo trabalho, peças artesanais ao lado de industriais. A escolha de cada um aproxima-se da escolha de um pigmento. Em seus processos, Villarosa observa a cor que o fio carrega e o modo como ele absorve ou devolve a luz. Avalia também a textura que cada material imprime à superfície quando assentado em camada. Desses critérios surge a paleta de cada paisagem, definida pelo material antes mesmo de qualquer ideia de imagem.

Os trabalhos reunidos na mostra  propõem uma forma de pensamento que se faz por meio da textura. O tecido bordado adquire ali a densidade de um campo pictórico e a sensibilidade de uma pele, submetido à mesma economia de gestos que organiza a pintura. O título "Fio d’água" elucida essa condição: uma imagem em transformação contínua, conduzida por um curso silencioso que se mantém em movimento.

 

Sobre a artista

Laura Villarosa (Palermo, Itália, 1961) vive e trabalha em Niterói, Rio de Janeiro, desde os anos 1980. Sua pesquisa estabelece a paisagem como campo expandido, no qual a pintura e as técnicas têxteis operam em regime de equivalência. Fios, linhas, algodão, nylon, cerâmica fria, aquarela, acrílica e resina são alguns dos materiais recorrentes em uma produção que recusa a representação literal do natural para propor, em seu lugar, uma construção material da experiência sensível diante da terra.

A formação de Villarosa articula um longo percurso em pintura e cor com o aprendizado de práticas têxteis incorporadas ao trabalho autoral a partir de 2017, quando passou pelo programa Imersões Poéticas da Escola Sem Sítio, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, sob acompanhamento do artista Efrain Almeida. Desde então, a artista trata o processo como matéria constitutiva da obra, acumulando camadas de fios, tecidos e pigmentos sobre superfícies que adquirem espessura e volume. As composições flertam com a abstração e evocam atmosferas que oscilam entre serenidade e inquietação.

Em séries recentes, como Paisagem e Sensibilidade, Villarosa amplia o repertório de materiais, trabalhando sobre sedas oriundas de San Leucio, antiga colônia fundada no sul da Itália no século XVIII, reconhecida pela produção de tecidos para palácios e por seu projeto de sociedade igualitária. A artista também passou a usar cerâmica fria para modelar nuvens e diferentes texturas para compor suas paisagens imaginárias, ao mesmo tempo utópicas e distópicas. A artista costura a cerâmica ainda úmida, antes que o tempo e o calor a endureçam, e não se vê como ceramista: toma o material como extensão da tinta. Há, nos trabalhos, um interesse pela imaterialidade do ar, pelo volume das nuvens, pela densidade das montanhas e pelo reflexo instável das águas.

Villarosa realizou as individuais Lugar de passagem, na Zipper Galeria (2024); A ambígua linha sinuosa, na Zipper Galeria (2021); Na Voluta do horizonte, na Casa Brasil (Rio de Janeiro, 2025); A (des)ordem natural das coisas, na Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea (Rio de Janeiro, 2025); Aurora, na Galeria Dotart (Belo Horizonte, 2023); Impermanências, no CEART UFF (Niterói, 2023); Impermanência, projeto solo para a Zona Maco (Cidade do México, 2023); Seiva, na C. Galeria (Rio de Janeiro, 2022, com curadoria de Catarina Duncan); Reinventando paisagens, na DotArt (Belo Horizonte, 2020); e Melancolia da paisagem, na Galeria Sem Título (Fortaleza, 2019). Participou de coletivas como Paralelas, na Casa Ondina (São Paulo, 2025); Fios, entre poéticas e tramas, na Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea (Rio de Janeiro, 2024); No tempo da pintura, na Galeria Belizário (São Paulo, 2024); Rios e seus afluentes, na C.Galeria para a ArtRio (Rio de Janeiro, 2023); Paisagem passagem, na Fundação Mokiti Okada (São Paulo, 2021); o 12º Salão dos Artistas sem Galeria, na Zipper Galeria (São Paulo, 2021); e Coradjetiva, na BADESC (Florianópolis, 2014).



Serviço:

Fio d’água – Laura Villarosa

Texto curatorial: Priscyla Gomes

Local: Zipper Galeria - R. Estados Unidos, 1494 - Jardim America, São Paulo 

Abertura: 16 de maio 

Período expositivo: 16 de maio a 13 de junho de 2026

Informações:  www.zippergaleria.com.br | @zippergaleria 

 

fonte:
Cor Comunicação

feira de arte ArPa - SP

Setor Principal da ArPa, em 2025. Foto: Pérola Dutra


ArPa chega à 5ª edição reconhecida por modelo único que inova o conceito de feiras de arte na América Latina


 Feira curada e com formato de miniexposições acontece de 27 a 31 de maio na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, e reúne mais de 60 galerias convidadas e cerca de 100 artistas de 10 países; modelo por setores afirma identidade própria no circuito latino-americano;
 


São Paulo, maio de 2026 - Em 2022, quando a ArPa abriu suas portas pela primeira vez na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, o que se via era uma aposta: uma feira concebida para propor uma vitrine do mercado latino-americano, sobretudo do Brasil, e que fosse verdadeiramente curada, organizada em setores, com um número de artistas por estande deliberadamente limitado, mais próxima de uma série de miniexposições. Ainda antes do previsto, e celebrando sua quinta edição de 27 a 31 de maio no mesmo local, o que se vê é que a aposta vingou.

A ArPa mantém o foco em qualidade de expositores, apresentando artistas representados por cerca de 60 galerias do Brasil e de outros 9 países. Galerias que estrearam na primeira edição continuam voltando. Outras chegaram mais tarde e ficaram. Algumas vieram de fora do Brasil pela primeira vez e relatam o plano de retornar.

“Chegamos à quinta edição com um amadurecimento rápido e muito importante”, afirma Camilla Barella, fundadora e diretora da ArPa. “Somos percebidos como uma plataforma estratégica para o diálogo entre a América Latina e o restante do circuito internacional”, explica. “A abordagem curatorial cria um ambiente mais atento ao diálogo entre as obras, pesquisas, artistas e diferentes públicos, entregando uma proposta que privilegia a experiência dos visitantes e promove uma dinâmica qualificada de fruição da arte", completa a executiva.

Esse posicionamento não nasce do acaso. Desde o início, todas as galerias participantes são convidadas pela diretoria da ArPa com apoio do comitê curatorial da organização. Para a edição de 2026, o processo de seleção do Setor Principal contou com um novo comitê de conteúdo formado por Fabiola Ceni (Galeria Nara Roesler), Ana Paula Pacianotto (Fortes D'Aloia & Gabriel), Rodrigo Mitre (Mitre Galeria) e Max Perlingeiro (Pinakotheke), profissionais com atuação nacional e internacional no mercado de arte contemporânea.

A ArPa 2026 acontece em um momento de expansão consistente do mercado. O Art Basel & UBS Art Market Report 2026, principal relatório global do setor, registrou crescimento de 21% nas vendas de galeristas brasileiros em 2025, um dos índices mais expressivos entre os países analisados. O Brasil aparece como um dos mercados mais dinâmicos do mundo, com 83% das galerias projetando crescimento, o maior índice global.

A ArPa ocupa diferentes espaços da Mercado Livre Arena Pacaembu. Foto: Pérola Dutra

No plano doméstico, a ArPa já olhava para esse otimismo com dados próprios. Em 2025, a feira realizou um levantamento inédito sobre o mercado de arte contemporânea na América Latina elaborado em parceria com a Agência Galo e baseado em respostas de 295 agentes do setor, entre artistas, galeristas, colecionadores, curadores e consultores de arte. À época, o estudo apontou que 88% dos respondentes percebiam aumento no interesse internacional por artistas latino-americanos, que 62% consideram as feiras de arte espaços essenciais para visibilidade e vendas, e que 43% projetavam leve crescimento para o mercado, com outros 16% apostando em expansão significativa.

Uma nova edição da pesquisa está em curso e será apresentada durante a coletiva online que a ArPa realiza em 20 de maio, às 11h.

A conquista do seu espaço

A ArPa surgiu de uma demanda concreta do setor: associações de galerias buscavam novas opções de feira relevantes em São Paulo, num circuito que por mais de duas décadas se mantinha condicionado a um único evento. A feira nasceu com uma proposta clara e distinta, mais próxima da curadoria institucional do que do varejo. A Mercado Livre Arena Pacaembu entrou nessa história desde o início: em 2020, reformada, recebeu a primeira ação de arte em sua nova concessão, uma espécie de anúncio do uso que viria a seguir.

Em cinco edições, a feira formou novos colecionadores, trouxe ao Brasil galerias que nunca haviam atuado no país, contribuiu para que artistas fossem vistos por curadores de museus internacionais e consolidou um modelo em que o galerista funciona como curador de sua própria proposta expositiva. O número de artistas por estande é limitado justamente para preservar esse caráter institucional.

"Todo ano a ArPa é única por primar por projetos inéditos", reforça Barella. “É uma característica nossa muito específica", afirma. “Nunca buscamos uma identidade de feira de varejo, desde o início a ArPa reúne colecionadores, representantes de acervos institucionais do Brasil e do exterior, curadores, artistas, galeristas, art advisors, estudantes e público interessado em geral, numa expografia acolhedora que favorece a integração entre visitantes e galerias", completa.

De acordo com a diretora de relacionamento institucional da ArPa, Cristina Candeloro, essa construção descrita por Camilla não acontece apenas durante os dias de feira. “Ao longo do ano, a ArPa mantém uma agenda de ações de comunicação, formação de público e relacionamento com agentes do setor, pois temos clareza de que o circuito se fortalece no tempo e nas relações, e não apenas nos cinco dias de evento”.

Os setores da edição 2026

O Setor Principal reúne o maior número de expositores e é onde se concentra tanto a presença de galerias com longa trajetória no circuito internacional quanto a estreia de novos participantes. É uma combinação consciente: a ArPa não é uma feira voltada exclusivamente ao consagrado nem ao emergente, mas um espaço em que esses dois eixos coexistem com naturalidade.

Entre alguns destaques da edição, a Fortes D'Aloia & Gabriel apresenta projeto solo site-specific de Rodrigo Matheus, com instalação que tensiona os limites entre natureza e cultura. A Pinakotheke exibe obras históricas de Farnese de Andrade, provenientes de coleção formada entre as décadas de 1970 e 1980. A Almeida & Dale promove o encontro entre Alex Červený e Joseca Yanomami, articulando cosmologias distintas e diferentes modos de representar a memória e a natureza. A Nara Roesler traz obras inéditas de André Griffo, que investiga as relações entre arquitetura, história e violência estrutural.

Setor Principal da ArPa em 2025. Foto: Pérola Dutra

A edição também se destaca pela entrada de novas galerias, como a Athena e a Carmen Araujo Arte, ao lado de nomes já consolidados como Mendes Wood DM, Luisa Strina e Casa Triângulo. No recorte internacional estão presentes Coral Gallery (Estados Unidos), Isla Flotante + Calvaresi (Argentina), COTT (Argentina), Nora Fisch (Argentina), Hache (Argentina), Carmen Araujo Arte (Venezuela) e PérezPuig (Porto Rico).

"O Setor Principal reúne projetos coletivos e individuais que evidenciam a diversidade da produção artística contemporânea", observa Cristina Candeloro, diretora de relacionamento institucional da ArPa. "Nos últimos anos, temos observado interesse crescente de galerias de diferentes regiões, consolidando o Brasil como um mercado em expansão com enorme potencial para o cenário artístico local."

Setor UNI: exposições individuais sob o olhar de Ana Sokoloff

O Setor UNI segue como um dos eixos mais comentados da feira. Dedicado exclusivamente a mostras solo, o setor apresenta exposições individuais de artistas contemporâneos. A curadoria é assinada por Ana Sokoloff, curadora colombiana radicada em Nova York, referência internacional em arte latino-americana.

Sokoloff foi vice-presidente do Departamento de Arte Latino-Americana da Christie's, trabalhou na Sotheby's e na Americas Society, e integra conselhos do Museo de Arte Moderno de Bogotá (MAMBO). O UNI já expôs nomes como Ventura Profana, Laercio Redondo, Ad Minoliti e Camila Rodríguez Triana, atraindo colecionadores da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa.

“Para 2026, o UNI amplia sua atuação no circuito da arte latino-americana e incentiva o colecionismo aberto a múltiplas perspectivas”, afirma Barella. "O UNI reafirma o valor que a ArPa confere aos processos ao pensamento crítico."

Em 2026, Sokoloff também assume a coordenação do Programa Prisma na semana da feira, plataforma voltada a colecionadores convidados do exterior e de diversas cidades brasileiras. O Prisma promove encontros e experiências exclusivas no sistema da arte brasileira. Ao longo do ano, são organizadas visitas guiadas a ateliês, coleções privadas e exposições institucionais, aproximando colecionadores, curadores, artistas e demais profissionais do circuito de artes visuais, afirmando uma atuação da ArPa que não começa e não termina nos cinco dias de feira.

Setor Base: arte como pedagogia e construção de comunidade

Situado dentro do lindíssimo Ginásio Poliesportivo da Mercado Livre Arena Pacaembu, inaugurado em 2025, o Setor Base propõe uma intersecção entre projetos expositivos e conversas ao vivo. O foco são artistas que têm um comprometimento com a pedagogia e com a construção de comunidade, figuras que, paralelamente ou conjuntamente às suas práticas individuais, colaboram para formar e incentivar novas gerações.

Setor Principal da ArPa em 2025. Foto: Pérola Dutra

A edição também se destaca pela entrada de novas galerias, como a Athena e a Carmen Araujo Arte, ao lado de nomes já consolidados como Mendes Wood DM, Luisa Strina e Casa Triângulo. No recorte internacional estão presentes Coral Gallery (Estados Unidos), Isla Flotante + Calvaresi (Argentina), COTT (Argentina), Nora Fisch (Argentina), Hache (Argentina), Carmen Araujo Arte (Venezuela) e PérezPuig (Porto Rico).

"O Setor Principal reúne projetos coletivos e individuais que evidenciam a diversidade da produção artística contemporânea", observa Cristina Candeloro, diretora de relacionamento institucional da ArPa. "Nos últimos anos, temos observado interesse crescente de galerias de diferentes regiões, consolidando o Brasil como um mercado em expansão com enorme potencial para o cenário artístico local."

Setor UNI: exposições individuais sob o olhar de Ana Sokoloff

O Setor UNI segue como um dos eixos mais comentados da feira. Dedicado exclusivamente a mostras solo, o setor apresenta exposições individuais de artistas contemporâneos. A curadoria é assinada por Ana Sokoloff, curadora colombiana radicada em Nova York, referência internacional em arte latino-americana.

Sokoloff foi vice-presidente do Departamento de Arte Latino-Americana da Christie's, trabalhou na Sotheby's e na Americas Society, e integra conselhos do Museo de Arte Moderno de Bogotá (MAMBO). O UNI já expôs nomes como Ventura Profana, Laercio Redondo, Ad Minoliti e Camila Rodríguez Triana, atraindo colecionadores da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa.

“Para 2026, o UNI amplia sua atuação no circuito da arte latino-americana e incentiva o colecionismo aberto a múltiplas perspectivas”, afirma Barella. "O UNI reafirma o valor que a ArPa confere aos processos ao pensamento crítico."

Em 2026, Sokoloff também assume a coordenação do Programa Prisma na semana da feira, plataforma voltada a colecionadores convidados do exterior e de diversas cidades brasileiras. O Prisma promove encontros e experiências exclusivas no sistema da arte brasileira. Ao longo do ano, são organizadas visitas guiadas a ateliês, coleções privadas e exposições institucionais, aproximando colecionadores, curadores, artistas e demais profissionais do circuito de artes visuais, afirmando uma atuação da ArPa que não começa e não termina nos cinco dias de feira.

Setor Base: arte como pedagogia e construção de comunidade

Situado dentro do lindíssimo Ginásio Poliesportivo da Mercado Livre Arena Pacaembu, inaugurado em 2025, o Setor Base propõe uma intersecção entre projetos expositivos e conversas ao vivo. O foco são artistas que têm um comprometimento com a pedagogia e com a construção de comunidade, figuras que, paralelamente ou conjuntamente às suas práticas individuais, colaboram para formar e incentivar novas gerações.

Espaço para conversas do Setor Base da ArPa em 2025. Foto: Pérola Dutra

A dinâmica é, por si só, colaborativa: cada artista convidado pela ArPa desdobra o convite para outro artista com quem tenha esse tipo de relação pedagógica. As duplas apresentam projetos expositivos conjuntos e participam de conversas mediadas ao vivo durante a feira.

Setores Editorial e Institucional

A edição de 2026 também conta com o Setor Editorial, dedicado à produção gráfica e ao pensamento crítico em arte para ampliar o diálogo entre exposições e publicações. O espaço reunirá editoras independentes e especializadas, como Lovely House, Ubu, Família, Cobogó, Banca Tatuí e Celeste, fortalecendo a presença do livro como plataforma essencial de circulação e reflexão no circuito artístico contemporâneo.

Para completar, há o Setor Institucional, voltado a organizações que buscam promover pesquisa, memória, formação e acesso à arte. Na edição de 2026, estarão presentes Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), Instituto de Arte Contemporânea (IAC), Comadre, Casa do Povo e 55SP.

Premiações

A ArPa mantém uma política de fomento à produção contemporânea por meio de premiações e iniciativas de aquisição que fortalecem o circuito artístico nacional. Entre os destaques está a doação realizada em parceria com o ICCo, Instituto de Cultura Contemporânea, para a Pinacoteca do Estado de São Paulo, que incorpora ao acervo do museu obras de artistas ainda não representados na coleção.

A feira também concede o prêmio de Melhor Estande, escolhido por curadores convidados. Há ainda o Selo Mandacaru, promovido pelo Instituto Mandacaru, que contempla artistas de fora do eixo Rio–São Paulo e de periferias urbanas, reforçando o compromisso da ArPa com a descentralização e a ampliação da visibilidade da arte contemporânea produzida em diferentes territórios do país.

Conheça as galerias participantes da ArPa

(Sujeito a novas inserções/alterações até a realização da ArPa)

Setor Principal

  • Almeida & Dale: Alex Cerveny e Joseca Yanomami
  • Athena + Verve: Antonio Dias, Felippe Moraes e Gustavo Prado
  • Bolsa de Arte: Bruno Novelli
  • Carmen Araujo Arte: Augusto Villalba e Juan Iribarren
  • Casa Triângulo: Ascânio MMM, Assume Vivid Astro Focus, Eduardo Berliner, Lyz Parayzo, Lucas Simões, Sandra Cinto e Vânia Mignone
  • Cerrado Galeria: Alice Lara, Rafael de Almeida e Nilson Pimenta
  • Coral Gallery: Chiara Baccanelli e Lucas Pertile
  • COTT + Nora Fisch: Andrés Paredes Paredes e Miguel Harte
  • DAN Galeria: Dionísio del Santo
  • Danielian: Frans Krajcberg e Ottavia Delfanti
  • Fortes D'Aloia & Gabriel: Rodrigo Matheus
  • Galeria 18: Karen de Picciotto
  • Galeria Karla Osorio: Luiz Gallina Neto, Matheus Marques Abu e Renan Aguena
  • Galeria Luis Maluf: João do Nascimento e Raphael Oboé
  • Galeria Lume: Julio Bittencourt e Rodrigo Sassi
  • Galeria Raquel Arnaud: Felipe Pantone, Julio Villani e Wolfram Ullrich
  • Isla Flotante + Calvaresi: Dignora Pastorello e Mariela Scafati
  • Leonardo Leal: Arrudas e Júlia Aragão
  • Lima Galeria: Pablo Mufarrej e Bárbara Savannah
  • Luciana Brito Galeria + Galeria Estação: Estúdio Campana e Gabriela Machado, Santidio Pereira e André Barion
  • Luisa Strina: Ana Prata, Bruno Baptistelli e Pablo Accinelli
  • Marco Zero: Artur Bombonato, Gustavo Diógenes e Nicholas Steinmetz
  • Matias Brotas: Adriana Vignoli, Arthur Arnold, José Bechara e Raphael Bianco
  • Mazzucchelli Cardoso: Heloísa Franco e Noara Quintana
  • Mendes Wood DM: Kansai Noguchi e Varda Caivano
  • Mitre Galeria: Benedikt Wiertz e Marcos Siqueira
  • Movimento: Viviane Teixeira
  • Nara Roesler: André Griffo
  • OMA Galeria: Eduardo Freitas e Luiz Pasqualini
  • Pinakotheke: Farnese de Andrade
  • Quadra: Arorá e Manuela Costa Lima
  • Sardenberg: Luciana Maas e Yan Copelli
  • SteinART Contemporânea: Rivas & Wloch e Yutaka Toyota
  • Yehudi-Hollander-Pappi: Gustavo Silvamaral e Natalia Ivanov
  • Zipper Galeria: Ian Salamente e Willian Santos

Setor UNI

  • Cave: Gi Monteiro
  • Central: Raphael Tepedino
  • Hache: Santiago García Sáenz
  • Luciana Caravello: Gabriel Pessoto
  • MaPa: Gisela Eichbaum
  • Marcelo Guarnieri: Ana Sario
  • Ora: Diana Motta
  • Pena Cal: Juliana Bernabó
  • Pilar: Rodolfo Pitarello
  • PerezPuig: Kiván Quiñones Beltrán
  • Refresco: Bernardo Liu
  • RV Cultura e Arte: Milena Ferreira
  • Vermelho: Estevan Davi
  • WG: Antonio Kuschnir

Setor Editorial

  • Lovely House
  • Ubu
  • Família
  • Cobogó
  • Banca Tatuí
  • Celeste

Setor Institucional

  • Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM)
  • Instituto de Arte Contemporânea (IAC)
  • Comadre
  • Casa do Povo
  • 55SP

Sobre a ArPa

A ArPa chega à sua 5ª edição consolidada como uma das principais referências do circuito de arte contemporânea da América Latina. Fundada em 2022 por Camilla Barella, a feira opera com um modelo curado por setores, galerias selecionadas por convite e projetos inéditos como critério de participação. Sua direção acompanha de perto cada projeto que será apresentado, o que garante uma identidade consistente ao longo das edições. A ArPa reúne colecionadores, representantes de acervos institucionais do Brasil e do exterior, curadores, artistas, galeristas, art advisors, estudantes e público em geral, numa expografia acolhedora que favorece a integração entre visitantes e galerias. Um comitê curatorial acompanha o setor e orienta as escolhas a cada edição. Ao longo do ano, o Programa Prisma amplia essa atuação com visitas a ateliês, coleções privadas e exposições, promovendo encontros entre público especializado e agentes da produção artística contemporânea. Organizada em cinco setores — Principal, UNI, Base, Editorial e Institucional —, a feira realiza ainda três premiações anuais: o Selo Mandacaru, o Melhor Estande e a Doação para a Pinacoteca do Estado de São Paulo.

A 5ª edição acontece entre 27 e 31 de maio de 2026 na Mercado Livre Arena Pacaembu, São Paulo. Mais informações em: https://arpa.art/

 

ArPa -  5ª edição

Quando: 27 a 31 de maio de 2026

Horário: quarta a sábado, das 13h às 20h30 | domingo, das 11h às 18h

Local: Mercado Livre Arena Pacaembu, São Paulo

Endereço: Rua Capivari (Portão 23)

Ingressos: disponíveis no site oficial da ArPa | https://arpa.art/ingressos/

Classificação: livre para todas as idades

A ArPa conta com recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência

Site: https://arpa.art/

Instagram: @arpa__art

 

Coletiva online com a imprensa

20 de maio, às 11h


fonte:

Agência Galo