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escolhidos por MARIA PINTO
(Maria Regina Pinto Pereira)

http://maregina-arte.blogspot.com/

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Dos Brasis, maior exposição de arte negra do país, chega ao Sesc Franca com recorte inédito

 

Foto: Bruna Damasceno

Mostra dedicada à produção de artistas negros apresenta cerca de 85 obras, entre elas peças do Acervo Sesc de Arte, em diálogo com a história e o movimento negro de Franca;

Franca (SP), agosto de 2026 - Uma das mais importantes iniciativas recentes das artes visuais brasileiras chega ao interior paulista. De 28 de agosto de 2026 a 31 de janeiro de 2027, o Sesc Franca recebe Dos Brasis - Arte e Pensamento Negro, a mais abrangente exposição dedicada exclusivamente à produção de artistas negros. A mostra propõe uma revisão da história da arte brasileira a partir de criadores, intelectuais, comunidades e experiências que, apesar de fundamentais para a formação cultural do Brasil, permaneceram à margem das narrativas oficiais e dos espaços de reconhecimento.

Com cerca de 90 obras, o recorte apresentado no Sesc Franca reúne artistas de diferentes gerações e regiões do país. Pinturas, fotografias, esculturas, instalações, objetos, trabalhos têxteis, documentos e produções audiovisuais evidenciam a pluralidade da arte negra brasileira atravessada por memórias, espiritualidade e experiências sociais. Para ampliar o diálogo proposto na exposição, a programação de abertura conta com a apresentação da Velha Guarda da Mangueira, que celebra 70 anos de trajetória em um repertório dedicado às matrizes do samba carioca.

Com curadoria geral de Igor Simões e curadoria adjunta de Lorraine Mendes e Marcelo Campos, a montagem preserva a integridade conceitual do projeto apresentado anteriormente no Sesc Belenzinho, em São Paulo, e no Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, mas assume características próprias em Franca. O novo recorte estabelece relações com o espaço expositivo e com a história cultural do município. Para esta edição, sete obras do Acervo Sesc de Arte passam a integrar a mostra, com trabalhos de No Martins, Eustáquio Neves, Isa do Rosário, Lidia Lisbôa, Jorge dos Anjos e Miguel Penha Chiquitano.

Confira a relação de 76 artistas e coletivos que participam da mostra: Abdias Nascimento (SP), Afonso Pimenta - Retratistas do Morro (MG), Alexandre Alexandrino (SP), Aline Motta (RJ) e Dona Romana (TO), Ana das Carrancas (PE), André Vargas (RJ), Angela Lima (PE), Annia Rízia (BA), CALXDR e Diego Crux  (SP), Charlene Bicalho (MG), Claudia Lara (PR), Daniel Lima (RN), Davi Cavalcante e Rayanne Ellem (SE), Debis e Pablo Monteiro (MA), Denis Moreira (SP), Denise Camargo (SP), Emanoel Araújo (BA), Emanuely Luz (MA), Francelino Mesquita (PA), Gabriel Archanjo Santo (PI), Glauce Santos (PA), Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira (RJ), Gugie Cavalcanti (DF), Guto Oca (SP), Helton Vaccari (MS), Isa do Rosário (SP), Joyce Nabiça (PA), Keila Sankofa (AM), Larissa Vieira (SE), Li Vasc (PB), Lucélia Maciel (BA), Luciano Feijão (ES), Lucimélia Romão (SP), Marcela Bonfim (SP) e Dani Guirra (MT), Marcos Dutra (TO), Marcus Deusdedit (MG), Maria Macêdo (CE), Mariana Rocha (RJ), Mauricio Igor (PA), Mika (PI), Napê Rocha (ES), Noemisa Batista dos Santos (MG), Odaraya Mello (RJ), Pablo Figueiredo (MA), Paula Duarte (MG), Priscila Rezende (MG).

Quilombo do Campinho – Adilsa Conceição Martins (RJ), Quilombo do Campinho – Ismael Alves Conceição (RJ), Quilombo do Campinho – Nelba Brasilicia (RJ), Quilombo Pedra D’Água: Rendas de Ofício - Marlene Leopoldina Vital (PB), Quilombo Pedra D’Água: Labirinteiras - Dona Maria Marta, Maria de Lourdes Ferreira dos Santos, Severina Francisca da Silva Pereira, Lidiane Saturnino da Silva, Maria Helena Duarte de Lemos (PB), Rafael Bqueer (PA), Rafael da Luz (PA), Renata Felinto (SP) e Shambuyi Wetu , Roger Cipó e Carlos de Assumpção (SP), Sérgio Adriano H (SC), Seu Valentim Conceição (RJ), Sheyla Ayo (SP), Silvana Rodrigues (RS), Sunshine Castro (MA), Thiago Costa (PB) e Folguedo dos Caretas de Triunfo (PE), Ueliton Santana (AC), Ulisses Arthur (AL), Ulisses Mendes (MG), Vera Ifaseyí (RJ), Waleff Dias (AP), Yhuri Cruz (RJ).

Franca como território de criação, memória e resistência

A edição estabelece uma relação direta com três personalidades negras de forte vínculo com Franca: Abdias Nascimento, Isa do Rosário e Carlos de Assumpção. Suas trajetórias aproximam a dimensão nacional da exposição da história cultural e política da cidade.

Abdias Nascimento nasceu em Franca, em 14 de março de 1914. Artista plástico, escritor, dramaturgo, professor, político e ativista, fundou o Teatro Experimental do Negro (TEN) e dedicou sua vida ao combate ao racismo e à defesa do pensamento pan-africanista. A cidade constitui, portanto, o ponto de origem de uma trajetória que transformou o teatro, as artes, a política e o debate racial no Brasil. Abdias também é patrono da Casa da Cultura e do Artista Francano, equipamento municipal.

A própria história do Sesc Franca mantém forte ligação com esse legado. A unidade iniciou suas atividades, em novembro de 2024, com a exposição O Quilombismo – Documentos de uma Militância Pan-africanista, dedicada à vida, à obra e ao pensamento de Abdias.

Nascida em Batatais, Isa do Rosário construiu uma relação profunda com Franca a partir do contato com o movimento negro local e de sua atuação em iniciativas de arte, educação e preservação da cultura afro-brasileira. Durante a pandemia de Covid-19, estabeleceu residência definitiva na cidade. Bordadeira, artista visual, poeta, contadora de histórias e guardiã de saberes ancestrais, transforma tecidos, fios, memórias e referências aos orixás em obras que abordam diáspora, espiritualidade, cura e resistência. Sua trajetória inclui a representação do Brasil na 12ª Bienal de Liverpool, na Inglaterra, exposições no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) e a individual Como a Terra Respira, apresentada no Museu Afro Brasil, em São Paulo.

Carlos de Assumpção, nascido em Tietê em 1927, escolheu Franca como lugar de vida, atuação profissional e criação literária. Advogado na comarca e membro da Academia Francana de Letras, tornou-se uma referência da poesia afro-brasileira. Seu poema Protesto, escrito em 1958, converteu-se em marco da literatura negra por sua denúncia direta do racismo e por sua defesa da liberdade e da dignidade.

Sete núcleos para rever a história e imaginar outros futuros

A exposição organiza-se em sete núcleos curatoriais, que funcionam como campos de reflexão. Cada núcleo reúne obras de histórias, linguagens e territórios distintos e propõe conexões entre experiência estética, pensamento crítico, memória, política e vida cotidiana.

A necessidade de questionar as estruturas que definiram o que deveria ou não ser reconhecido como arte brasileira norteia o núcleo Romper. As obras confrontam o cânone formado sob a perspectiva da branquitude e evidenciam artistas negros que sempre participaram da criação artística do país, embora muitos tenham sofrido apagamento, enquadramento em categorias menores ou exclusão dos livros, museus e coleções. As obras também expandem os limites tradicionais entre arte erudita, popular, comunitária e contemporânea.

Foto: Matheus José Maria

Branco Tema inverte uma posição histórica em objetos de observação, classificação e representação por artistas e pesquisadores brancos. Nesse núcleo, artistas negros assumem o lugar de autores do olhar e fazem da branquitude, de seus privilégios e de suas formas de poder, um tema de análise. A mudança de perspectiva revela que nenhum olhar é neutro e que toda imagem participa de disputas políticas e sociais.

O núcleo Negro Vida apresenta corpos, afetos, cotidianos, festas, intimidades, desejos e modos de existência que não se limitam às imagens de violência e sofrimento. As obras revelam a multiplicidade de escolhas estéticas e materiais da produção negra contemporânea, com espaço para abstração, figuração, experimentação formal, memória familiar e invenção de novas identidades.

Amefricanas tem como referência o conceito de amefricanidade formulado por Lélia Gonzalez. O núcleo reconhece o protagonismo das mulheres negras na construção cultural, política e social das Américas. As obras abordam maternidade, trabalho, espiritualidade, sexualidade, cuidado, liderança e resistência. Em vez de tratar essas mulheres apenas como vítimas de estruturas racistas e patriarcais, o conjunto destaca sua capacidade de criar redes, preservar saberes e sustentar comunidades.

Formas coletivas de existência e ação política são apresentadas em Organização Já. Quilombos, associações, irmandades, escolas de samba, movimentos sociais, grupos culturais e práticas comunitárias aparecem como espaços de proteção, criação e construção de autonomia. O núcleo mostra que a organização negra não se restringe à reação contra a violência: ela também produz conhecimento, sociabilidade, celebração, educação e novas possibilidades de futuro.

Legítima Defesa parte da afirmação atribuída a Luiz Gama de que a pessoa escravizada que mata seu senhor age em legítima defesa. O núcleo amplia essa ideia para refletir sobre diferentes respostas às estruturas de violência, exploração e exclusão. Raiva, denúncia, ironia, confronto, proteção do corpo e recuperação da dignidade aparecem como forças políticas e poéticas. As obras demonstram que a resistência pode assumir muitas formas, da ação coletiva ao gesto artístico.

Baobá, único núcleo cujo nome deriva de uma obra criada por Emanoel Araújo, aborda ancestralidade, espiritualidade, memória e transmissão de saberes. Assim como a árvore que atravessa gerações e guarda histórias, o núcleo relaciona passado, presente e futuro. O conjunto reúne referências a religiões de matriz africana, oralidade, cosmologias, conhecimentos comunitários e vínculos entre pessoas vivas, antepassados e descendentes. A ancestralidade aparece não como retorno idealizado ao passado, mas como fonte de orientação e criação contemporânea.

Educação e acessibilidade

Sob a coordenação de Andrea Mendes, o Programa Educativo promoverá mediações de visitação para diferentes públicos, além de atender o agendamento de grupos e desenvolver uma programação socioeducativa integrada à mostra. A formação da equipe contará ainda com a participação de Janaína Machado, primeira coordenadora do educativo de Dos Brasis no Sesc Belenzinho, responsável pela elaboração de um material que estabelece relações entre a exposição e as obras de artistas negros presentes no Acervo Sesc de Arte.

A exposição contará com vídeos em Libras, audiodescrição, paisagem sonora, legendas em braile, pictogramas, conteúdos acessíveis por QR Codes e uma obra tátil produzidos pela Alíngua. Esses recursos permitirão diferentes formas de aproximação e fruição.

Um projeto construído em escala nacional

Dos Brasis é resultado de uma iniciativa do Departamento Nacional do Sesc, realizada de forma colaborativa com os Departamentos Regionais e profissionais da Rede Sesc de Artes Visuais. Sua origem remonta a 2018, com a criação do eixo Afrobrasilidades: narrativas, memória e resistência, que impulsionou pesquisas, formações e debates sobre a produção artística negra e o racismo estrutural no sistema das artes.

Entre 2018 e 2023, o processo envolveu profissionais do Sesc de todos os estados e atividades presenciais em pelo menos 40 cidades de 14 unidades federativas. A investigação alcançou capitais, cidades do interior, ateliês, coleções, comunidades quilombolas e outros espaços de criação e preservação de saberes.

A primeira montagem de Dos Brasis foi inaugurada em agosto de 2023, no Sesc Belenzinho, em São Paulo, onde recebeu mais de 140 mil visitantes. Em 2024, a exposição seguiu para o Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, com 384 obras de 241 artistas. A chegada a Franca dá continuidade a uma ação de circulação concebida para percorrer diferentes unidades do Sesc no país, com adaptações a cada território, mas sem perda de sua força crítica e poética.

 

SERVIÇO

Dos Brasis - Arte e Pensamento Negro

Curadoria-geral: Igor Simões

Curadoria-adjunta: Lorraine Mendes e Marcelo Campos

Abertura: 28 de agosto, às 19h

Período: de 29 de agosto de 2026 a 31 de janeiro de 2027

Local: Sesc Franca - Av. Alonso Y Alonso, 3071 - Prolongamento Jardim Paulista

Entrada gratuita

 

Sobre o Sesc 

O Serviço Social do Comércio é uma entidade privada com finalidade pública, criada em 1946 por iniciativa do empresariado do setor de comércio de bens, serviços e turismo, e que tem como missão contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores dessas categorias, seus dependentes e da sociedade em geral. 

No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de 44 unidades, incluindo centros culturais e esportivos, bem como unidades especializadas. Oferece programações em diversas linguagens artísticas, atividades físico-esportivas e de turismo social, programas de saúde, educação para sustentabilidade, para a diversidade e para acessibilidade, alimentação, programas especiais para crianças, jovens e pessoas idosas, além do Sesc Mesa Brasil – programa institucional de combate à fome e ao desperdício de alimentos. 

O Sesc desenvolve, assim, uma ação de educação não formal permanente com o intuito de valorizar as pessoas ao estimular a autonomia, a convivência e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir. 

 

Assessoria de imprensa do Programa de Artes Visuais do Sesc São Paulo: Agência Galo

artesvisuais.sescsp@agenciagalo.com

Laíz Sousa | (11) 98184-4575

Mariana Nepomuceno | (11) 97152-4834

Tales Rocha | (11) 98870-1089

Thiago Rebouças | (11) 98562-3094

CASADASARTES oferece bolsas integrais para imersão artística sobre criação audiovisual com IA

 


Com formação, hospedagem e alimentação financiadas pelo ProAC, a imersão acontece de 12 a 18 de setembro, em Embu das Artes. Inscrições prorrogadas até 28 de agosto.

A CASADASARTES está com inscrições prorrogadas até 28 de agosto para a imersão artística Criar com IA, conduzida por Eduardo Garretano. Voltada a realizadores do audiovisual, a formação propõe sete dias de trabalho intensivo sobre o uso da inteligência artificial como ferramenta de criação, a partir dos projetos autorais de cada participante.


Serão oferecidas bolsas integrais financiadas pelo ProAC, que incluem formação, hospedagem e alimentação durante todo o período da imersão. As vagas são limitadas e os participantes serão selecionados por meio de chamada pública.


A proposta parte de um princípio central: a inteligência artificial não substitui o criador. Ao longo da semana, os participantes irão experimentar diferentes ferramentas e aprender a dirigi-las de acordo com suas próprias intenções artísticas: o que pedir, como pedir e qual inteligência artificial utilizar em cada etapa do processo.


A imersão abordará a construção de prompts, a criação de universos visuais, a geração de imagens e vídeos e o desenvolvimento de estratégias para transformar ideias em materiais concretos de apresentação. Cada participante trabalhará sobre um roteiro ou projeto audiovisual próprio e desenvolverá, durante a residência, um teaser autoral.


Mais do que ensinar a operar ferramentas, a formação pretende oferecer autonomia para que cada artista possa incorporar a IA ao seu processo sem abrir mão da autoria, da precisão e da singularidade de sua visão.


Sete dias de criação e convivência artística

A imersão será realizada na sede da CASADASARTES, em Embu das Artes, em meio à mata nativa. Durante sete dias, os participantes irão conviver e trabalhar no mesmo espaço, compartilhando experiências com outros realizadores e contando com o acompanhamento diário do facilitador.


A convivência é parte fundamental da proposta: criar um intervalo das pressões cotidianas para que os artistas possam se dedicar integralmente aos seus projetos, experimentar novos caminhos e fazer avançar seus processos criativos.


O programa adota critérios de democratização do acesso e ações afirmativas, com reserva de vagas para pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, pessoas idosas e moradores de Embu das Artes e região.


Sobre Eduardo Garretano

Eduardo Garretano é consultor e mentor com mais de 30 anos de atuação na economia criativa, nas áreas de branding, design, comunicação e experiência de marca. Fundador da Unnico, criaTTivados e EG Branding, desenvolve workshops e mentorias em criatividade, inovação, inteligência artificial, storytelling e direção criativa aplicada ao audiovisual.

Ao longo de sua trajetória, trabalhou com empresas nacionais e multinacionais e recebeu reconhecimentos como Cannes Lions, London Awards e One Show.

 

Sobre a CASADASARTES

Fundada pela cineasta e diretora teatral Kris Niklison, a CASADASARTES desenvolve há mais de 25 anos atividades de criação, pesquisa, formação e convivência artística. Localizada em Embu das Artes, a instituição recebe artistas para processos imersivos, intercâmbios e desenvolvimento de projetos nas áreas de cinema, audiovisual e artes cênicas.

A imersão integra o projeto Paraíso Cultural, realizado com recursos do Programa de Ação Cultural – ProAC.


Serviço

Criar com IA – Imersão artística para realizadores audiovisuais

Facilitador: Eduardo Garretano

Quando: de 12 a 18 de setembro de 2026

Onde: CASADASARTES – Embu das Artes, São Paulo

Bolsas integrais: formação, hospedagem e alimentação financiadas pelo ProAC

Pré-requisito: possuir um roteiro ou projeto audiovisual como base para o desenvolvimento do teaser.I

Inscrições prorrogadas até: 28 de agosto

Inscrições: www.casadasartes.art/residencias-artisticas-port

Instagram: @casadasartes_paraisocultural

Conecte-se com a CASADASARTES

Site oficial: www.casadasartes.art

Instagram: @casadasartes_paraisocultural

Facebook: facebook.com/casadasartesparaisocultural

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Inscrições abertas para os cursos de agosto do MAM São Paulo

 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

exposição Reverberações do Gesto - Moffat Takadiwa - SP

 

Moffat Takadiwa, detalhe da obra Selfie, 2026. Foto: Estúdio em Obra

Moffat Takadiwa estreia sua primeira exposição individual no Brasil na galeria Almeida & Dale

Após a 36ª Bienal de São Paulo, o artista retorna à cidade com um conjunto de obras inéditas que aprofundam sua investigação sobre consumo, história e meio ambiente a partir de materiais descartados

São Paulo, SP — A Almeida & Dale tem o prazer de apresentar Reverberações do Gesto, a primeira individual de Moffat Takadiwa (1983, Hurungwe, Zimbábue) no Brasil. Com abertura no dia 16 de Maio, a exposição reúne um conjunto de obras inéditas que abordam a cultura de consumo, suas origens coloniais e suas consequências ambientais. Tratam-se de trabalhos em grandes dimensões que se assemelham a mosaicos ou tapeçarias e que evidenciam sua materialidade oriunda dos rejeitos plásticos e eletrônicos.


Conhecido do público brasileiro desde sua participação na 36ª Bienal de São Paulo (2025), onde apresentou a instalação imersiva Portals to Submerged Worlds, Takadiwa também representou o Zimbábue na 60ª Bienal de Veneza (2024). Seus trabalhos são constituídos por meio da seleção, organização e composição de resíduos plásticos de objetos cotidianos — como teclas de computador, tampas e pincéis de esmalte, escovas de dentes, pentes e outros refugos cotidianos das sociedades ocidentais —, materiais que evidenciam os padrões de consumo e descarte em um mundo conectado pelo capitalismo global.

Moffat Takadiwa, detalhe da obra Survival Mode, 2026. Foto: Estúdio em Obra

Takadiwa produz sua obra colaborativamente, com uma rede que se formou em torno do Mbare Art Space, ateliê fundado pelo artista em 2019 que promove a criação de uma rede de artistas, a qualificação do trabalho e a renovação urbana de Mbare, uma das regiões mais antigas e densamente povoadas na cidade de Harare, a capital zimbabueana. O ateliê ocupa um antigo beer hall, tipo de cervejaria que era estabelecida e controlada pelas autoridades coloniais britânicas como parte de uma estratégia de segregação, regulação do lazer e restrição da organização política. O legado colonial do espaço, portanto, é ressignificado. Em torno do Mbare Art Space, o trabalho em aterros, comum às comunidades locais torna-se uma etapa fundamental na produção de Moffat Takadiwa e de outros artistas da região passa a ser qualificado simbólica e monetariamente. 


Nas obras em exposição, o olhar crítico para a realidade histórica soma-se ao convite para a imaginação e construção de uma realidade pautada pela coletividade, cooperação e interdependência.

Moffat Takadiwa, Silver Line, 2026. Foto: Estúdio em Obra 

Sobre Moffat Takadiwa

1983, Hurungwe, Zimbábue

Vive e trabalha em Harare, Zimbábue


Em sua prática, Moffat Takadiwa aborda a cultura de consumo contemporânea e o pós-colonialismo por meio da apropriação de objetos cotidianos descartados. O artista recupera itens como teclados de computador, tubos de pasta de dente, tampas de garrafa e outros resíduos plásticos de centros de reciclagem e aterros para transformá-los em esculturas e peças de parede. Combinando objetos industriais com técnicas manuais de costura, suas obras resultam em ricas composições de cores, formas e texturas cuidadosamente elaboradas que evocam a tapeçaria.


O trabalho de Takadiwa aponta para um mundo interconectado pelo consumo, em que o capitalismo global impõe uma certa homogeneidade aos modos de vida — perceptível na onipresença de certas marcas e formas padronizadas —, enquanto contesta o colonialismo, suas persistências contemporâneas e suas consequências climáticas. De alcance global, sua obra realiza um movimento de recuperação e valorização das tradições do Zimbábue. Fundador do Mbare Art Space, Takadiwa fortalece comunidades locais por meio de práticas coletivas de trabalho, propondo novas organizações formais e de linguagem.


Takadiwa teve exposições individuais em instituições ao redor do mundo, como Recoded Memories, Washington & Lee University, Lexington, EUA (2025); Tales of the Big River, Centre d’art contemporain, Gennevilliers, França (2024); Vestiges of Colonialism, National Gallery of Zimbabwe, Harare, Zimbábue (2023); e Witch Craft: Rethinking Power, Craft Contemporary, Los Angeles, EUA (2021). Sua obra também foi incluída em exposições coletivas de destaque, entre elas a 36a Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática (2025); Tukku Magi: Rhythm’s, Latvian Museum of Art, Riga, Letônia (2025); Avantgarde & Liberation, Mumok, Viena, Áustria (2024); Pavilhão da República do Zimbábue na 60ª Bienal de Veneza, Stranieri Ovunque, Itália (2024); Color is the First Revelation of the World, Orange County Museum of Art, Costa Mesa, EUA (2024); signifying the impossible song, Southern Guild, Los Angeles, EUA (2024); Africa Supernova, Kunsthal KAdE, Amersfoort, Holanda (2023); Nous sommes tous des lichens, Musée d’art contemporain de la Haute-Vienne – château de Rochechouart, França (2022); This is Not Africa: Unlearn What You Have Learned, ARoS Museum, Arhus, Dinamarca (2021); Thread., Long Beach Museum of Art, Long Beach, EUA (2019); Stormy Weather, Museum Arnhem, Holanda (2019); Second Hand: Selected Works from the Jameel Art Collection, Jameel Arts Centre, Dubai, Emirados Árabes Unidos (2019); Material Insanity, Museum of African Contemporary Art Al Maaden, Marrakech, Marrocos (2019); e Chinafrika. under construction, GfZK Leipzig, Alemanha (2017).


Suas obras integram coleções como Arsenal Contemporary Art, Canadá; Art Jameel Centre, Emirados Árabes Unidos; CC Foundation, China; CNAP, França; Fondation Villa Datris, França; Fondazione Golinelli, Itália; Fonds d’art contemporain, França; Institute Museum of Ghana, Gana; Institute of Contemporary Art, EUA; King Abdulaziz Center for World Culture, Arábia Saudita; Mumok, Áustria; MACAAL, Marrocos; Roc Nation Collection, EUA.


Sobre Almeida & Dale


Fundada em São Paulo, em 1998, a Almeida & Dale promove o legado de artistas emblemáticos e emergentes, ao impulsionar a produção contemporânea nos cenários nacional e internacional. Com três endereços em São Paulo, a galeria realiza um programa expositivo e editorial de excelência, estabelece parcerias com instituições e coleções de renome e está presente nas principais feiras de arte mundiais, o que a posiciona como uma das mais influentes galerias brasileiras.   


Representando mais de 50 artistas e espólios, reúne nomes fundamentais dos modernismos brasileiros, figuras-chave para a formação da arte contemporânea e a sua projeção internacional, além de artistas em plena atuação que continuam a redefinir o horizonte artístico. Em 2025, ao finalizar sua fusão com a prestigiada galeria Millan, estabelecida em 1986, também em São Paulo, a Almeida & Dale abraça um histórico de comprometimento profundo com o experimentalismo artístico, de colaboração estreita com artistas para os posicionar nas principais exposições e instituições do mundo e de impulsionamento internacional de carreiras.   


De maneira ativa, a galeria assume o desafio de difundir múltiplas perspectivas e novas aproximações, centrada em ser uma plataforma para os artistas em projetos potentes. Ao unir expertise artística e um olhar estratégico para as dinâmicas globais do setor, a galeria fomenta a expansão e a capilarização da arte latino-americana por meio de uma atuação que segue amplificando e impulsionando o mercado globalmente. A Almeida & Dale é liderada pelos sócios-executivos Antonio Almeida, Carlos Dale, Hena Lee e João Marcelo de Andrade Lima.


Serviço


Moffat Takadiwa: Reverberações do Gesto

16 de maio a 20 de junho de 2026

Rua Fradique Coutinho, 1360

Segunda a sexta-feira: 10h às 19h

Sábado: 11h às 16h 


Entrada gratuita


R. Fradique Coutinho 1430, 1360

R. Caconde 152 · SP, Brasil

@almeidaedale

www.almeidaedale.com.br